Os custos logísticos no Brasil cairam, embora isso não seja necessariamente uma boa notícia. No modal rodoviário, operadores autônomos trabalham com margens de 8% inferiores aos custos de operação, o que baixa o preço dos frete para todo o setor.
Os estoques são de R$ 89,7 bilhões o que corresponde 4,9%, enquanto a armazenagem é de 11,7% do PIB, com resultados absolutos de R$ 271 bilhões.
Como resultado, existe uma precarização de todo o sistema. Um estudo inédito do Centro de Estudos de Logística (CEL) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apontou que o modal rodoviário permaneceu estável, caindo de 58,5% em 2004 para 56,5% em 2006. "Os autônomos olham o custo variáveis e os fixos. Eles se preocupam com o gasto do diesel, se o pagamento têm como cobrir um furo de um pneu e a alimentação. Com isso, ele não tem como investir na frota, que continua obsoleta, ou em tecnologia", comentou o pesquisador Maurício Lima.
O custo dos transportes no Brasil é de R$ 154,8 bilhões o que representa 6,7% do PIB, enquanto em 2004 era 7,6%.
Ferrovias
A pesquisa também apontou que o uso de ferrovias cresceu, de 23,5% para 25,8%, mesmo assim a participação do modal ferroviário ainda é tímida perto de países de dimensão continental como a Rússia, China, Canadá, Austrália e Índia. O Brasil tem cerca de 3,4 quilômetros de ferrovia por quilômetro quadrado, enquanto essa relação nos Estados Unidos é de 23,4, na Índia é de 21,3 e na China é de 9,3.
O estudo mediu o custo de logística no Brasil com base em quatro áreas: transporte, armazenagem, administrativo e estoques. Não mensura o impacto dos portos na logística brasileira, apenas o transporte até o portão do porto. O fato do custo ter permanecido igual é curioso, frente ao aumento do preço do barril do petróleo, que passou de US$ 34,3 em 2004 para US$ 60,9 em 2006. Para medir o custo do transporte no Brasil, a pesquisa utilizou o diesel como parâmetro, tendo em vista que o combustível é responsável por 45,8% do custo do frete no modal rodoviário.
A média do preço do diesel cresceu de R$ 1,5 para R$ 1,91 no mesmo período. Mas a oferta de consumo permaneceu estável, na faixa de 22 bilhões de litros. No custo total do modal rodoviário é de R$ 128,9 bilhões, o que representa 5,6% do PIB. Desse valor, cerca R$ 113,6 bilhões de diesel, cerca de R$ 8,5 de outros veículos que fazem transporte por gasolina, aproximadamente R$ 2,6 bilhões de pedágio e mais R$ 4,2 bilhões de gerenciamento de risco.
A pesquisa toma como exemplo o custo necessário para levar uma tonelada por 1.000 quilômetros, com uma entrega por viagem. Em um caminhão do tipo carreta, o custo é de R$ 104,83 enquanto o preço cobrado é de R$ 96,51%. Já num caminhão do tipo truck, para transporte de granel ou carga seca o custo é de R$ 120,8 enquanto o preço é de R$ 111,17. Em ambos os casos, o custo é 8% inferior ao preço. "Em mercados onde o autônomo atua diretamente o preço é cerca de 20% menor, mas é dificil de calcular o impacto desse agente no mercado, pois muitos operadores logísticos terceirizam a operação e também usam o seu serviço", avaliou Lima. Cerca de 57,3% do transporte no Brasil é feito entre regiões, enquanto 28,3% é realizado internamente, dentro das regiões, ainda 9,4% é transporte classificado como especial e 5% é fracionado.
O modal ferroviário teve aumento de participação, em 2004 foram movimentados cerca de 206 TKU enquanto em 2006 foram movimentados cerca de 237 TKU. O faturamento somado das concessionárias em 2006 é de R$ 9,5 bilhões, o que corresponde a 0,4% do PIB nacional. Em 2004, a receita girava em torno de R$ 7,6 bilhões. Um estudo com a 1.000 maiores empresas brasileiras mostra que 35% da companhias não usam o ferroviário por falta de rotas, 30% por falta de flexibilidade de operação e 29% pela baixa velocidade e 29% pelo custo não compensar. "Se tivessemos uma malha maior e melhor, esse modal seria mais utilizado. A maior parte das linhas é singela ou seja, o trem tem que parar e esperar outro passar para então continuar o trajeto", comentou Lima.
Aquaviário
Já o modal aquaviário é responsável por R$ 11,5 billhões, o que corresponde a 0,5% do PIB. O dutoviário tem uma receita de R$1,023 bilhões no caso de oleodutos, onde a participação da Transpetro é de 77,3%. Nos gasodutos, o faturamento é de R$ 1,021 e o market share da TBG é de 60%. No total, o modal é responsável por R$ 3 bilhões de movimentação, o que corresponde a 0,1% do PIB. O aéreo faturou cerca de R$ 1,8 bilhões.
O custo médio por modal numa relação de 1.000 toneladas por quilômetros é de R$ 40 para a ferrovia, R$ 248 para o rodoviário, R$ 62 para o aquaviário, R$ 69 para dutos e R$ 1595 para o aéreo. "O Brasil não usa o modal adequado para cada transporte. Usa navios ao invés de dutos para transporte de graneis líquidos, rodovias ao invés de navios ou trens para os graneis sólidos e carga geral", revelou Lima.
Enquanto a participação do modal rodoviário no Brasil é de 56,5%, nos Estados Unidos é de 29,6%. Numa simulação para 2023, o ideal seria que o transporte aquaviário tivesse 29% da matriz brasileira, enquanto o ferroviário 32% e o rodoviário 33%. Nesse cenário o custo da logística no país seria de 5,2% do PIB. Aplicando a matriz de transporte americana ao país, o custo de transporte seria de R$ 111 bilhões, o que acarretaria numa relação com o produto interno bruto de 4,8%.
Como tendências, o pesquisador apontou um aumento do modal dutoviário, o crescimento da safra de grãos e o aumento do transporte de petróleo, em função da autosuficiência da Petrobrás e o crescimento estimado em 11% no transporte de ferro. "Pode acontecer de o país passar a transportar mais ferro por ferrovia e sobrar menos espaço para outros produtos, o que pode aumentar o custo de transporte logístico total", relatou Lima.
Na sua opinião, ou se investe mais em infra-estrutura. PAC prevê investimentos anuais no setor de R$ 12 bilhões, enquanto o Plano Nacional de Logística e Transporte mensura gastos de R$ 18,2 bilhões. "Se o Brasil crescer 5% por três anos pode haver um colapso da logística no Brasil. Aí pode se inverter a relação no modal rodoviário de ter mais oferta do que demanda, o que acarretaria numa explosão de preços,", comentou.
Fonte: NetMarinha - 23/8/2007 Publicado em NTC&Logística
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