sexta-feira, 30 de maio de 2008

PAC: Ministério dos Transportes foi o que teve mais recursos empenhados


Ivanir José Bortot e Sabrina Craide
Repórteres da Agência Brasil
Brasília - Dos R$ 17,2 bilhões previstos este ano para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em obras de saneamento, transportes rodoviário, portos, aeroportos e irrigação, entre outras, os ministérios conseguiram empenhar, de 2 de janeiro a 30 de abril, R$ 2,5 bilhões, o que representa 14,4% do total.
Do conjunto de empenhos realizados nos últimos quatro meses, a Secretaria do Tesouro Nacional pagou R$ 76,9 milhões, conforme apurou a Agência Brasil com fontes credenciadas da área econômica.
Se somados aos compromissos de obras assumidos no orçamento de 2007 e que estão sendo pagos este ano, o desembolso em 2008 ficou em R$ 2,168 bilhões até abril. Neste caso, vale lembrar que há R$ 12,668 bilhões de empenhos feitos em 2007 inscritos como restos a pagar.
A Casa Civil fará, no dia 4 de junho, um novo balanço do PAC referente ao período de 23 de janeiro a 22 de maio deste ano. A avaliação anterior do programa, que compreendia o primeiro ano do programa, já havia incluído os dados até 22 janeiro de 2008.
Os novos números que serão apresentados pela Casa Civil deverão ser diferentes da avaliação que vai de 2 de janeiro a 30 de abril de 2008.
Nos primeiros quatro meses de 2007, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, apresentou um balanço indicando um empenho de R$ 1,920 bilhão, de uma dotação orçamentária de R$ 9,577 bilhões e com pagamento de R$ 24,2 milhões. O valor global pago, acrescido com restos a pagar de obras empenhadas em 2006, ficou em R$ 986 milhões.
A aprovação do Orçamento Geral da União no Congresso Nacional só no final de março é apontada com um dos principais fatores que impediram os ministérios de fazer os empenhos deste ano. Mas também persistem dificuldades com licenças ambientais, elaboração de projetos e gestão. A maioria dos empenhos se destina a obras rodoviárias, ferrovias e construção de eclusas.
O Ministério dos Transportes foi o que teve mais recursos empenhados até abril deste ano: R$ 1,8 bilhão dos R$ 8,4 bilhões previstos no PAC, o que significa 21,4% do total. Mas os valores efetivamente pagos no período ficaram em R$ 76,3 milhões, ou seja, 0,89% do previsto.
O maior valor de recursos empenhados foi destinado para as rodovias: R$ 1,4 bilhão. Em seguida, aparecem as ferrovias (R$ 89,4 milhões), construção de hidrovias e eclusas (R$ 67,4 milhões) e financiamento de estudos e pesquisas (R$ 6,9 milhões).
Dos R$ 3 bilhões destinados ao Ministério da Integração Nacional para este ano, R$ 218,7 milhões foram empenhados (7,2%). Desse total, R$ 95,8 milhões foram destinados ao projeto de integração do Rio São Francisco, R$ 71,6 milhões para infra-estrutura hídrica, R$ 38,3 milhões para saneamento e R$ 12,9 milhões para irrigação.
No Ministério das Cidades, encarregado de importantes projetos de habitação, saneamento e transporte urbano, nenhum valor foi pago até abril deste ano. O ministério tem R$ 3,3 bilhões previstos no PAC em 2008. Desse montante, foram empenhados R$ 381,2 milhões, dos quais R$ 177 milhões para habitação, R$ 182 milhões para saneamento e R$ 21,7 milhões para transporte urbano.
Na área da saúde, a execução do PAC está sob o comando da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que tem a atribuição de cuidar da saúde indígena e de promover ações de saneamento para a prevenção de doenças. Até abril deste ano, dos R$ 750,5 milhões previstos para a Funasa, nenhum recurso havia sido empenhado ou pago.
Outra pasta que não teve nenhum recurso pago ou empenhado este ano foi a Secretaria Especial de Portos, com R$ 576 milhões previstos no PAC em 2008. O Ministério da Defesa, que possui R$ 1 bilhão de dotação do PAC para aeroportos, também não conseguiu fazer nenhum empenho.
A situação da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca não é diferente: dos R$ 7,3 milhões, nada foi pago ou empenhado até abril. A assessoria de imprensa do órgão informou que esse valor é referente ao Programa Territórios da Cidadania e que a secretaria negocia a inclusão de dois terminais pesqueiros no PAC.

Fonte : http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/

terça-feira, 27 de maio de 2008

BRASIL DEVE CONSTRUIR 169 NAVIOS


Presidente lança programa para construção de 169 navios
Vladimir Platonow
Niterói - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou hoje (26), em Niterói (RJ), do lançamento do Programa de Modernização e Expansão da Frota e de Embarcações de Apoio da Petrobras, e também da segunda etapa do Programa de Modernização da Frota de Petroleiros (Promef), da Transpetro.

No total, são 146 embarcações de apoio da Petrobras, com valor estimado em US$ 5 bilhões (R$ 8,3 bilhões), e 23 petroleiros da Transpetro, cujo valor não foi divulgado. Os navios terão de ser construídos no Brasil, com um mínimo de 70% de conteúdo nacional.

Segundo a Petrobras, cada navio vai gerar cerca de 500 postos de trabalho, em um total aproximado de 73 mil novos empregos, somados a 22 mil estimados pela Transpetro, pelos próximos seis anos. Durante esse período, serão realizadas sete licitações.

Entre as embarcações programadas pela Petrobras, 64 serão destinadas às atividades de suprimento, 54 ao manuseio de âncoras de grande porte, 18 a operações de recolhimento de óleo – exigência do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) – e dez serão rebocadores.

Também fazem parte do pacote a possível contratação de dois superpetroleiros com capacidade de 300 mil toneladas, considerados os maiores do mundo, a um custo de US$ 180 milhões cada.

A Petrobras pretende ainda contratar 40 navios-sonda e plataformas de perfuração semi-submergíveis para operarem em águas profundas e ultraprofundas, com expectativa de entrar em operação até 2017.

Fonte: http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/05/26/

segunda-feira, 26 de maio de 2008

INFRA-ESTRUTURA LOGÍSTICA E ENERGIA TEM SIDO A PREOCUPAÇÃO DO GOVERNO


BRASÍLIA - Infra-estrutura logística e energia é a melhor política industrial que o Brasil pode oferecer aos empreendedores nacionais ou estrangeiros, disse hoje o vice-presidente da República, José Alencar, ao comentar a Política de Desenvolvimento Produtivo anunciada pelo governo na segunda-feira.
O Brasil é um território grande, nós precisamos de estradas e de portos, de obras capazes de dar condições para que o Brasil cresça sem nenhum atropelo, sem nenhum gargalo, e isso tem sido objeto de preocupação do presidente Lula, disse.
Com relação às medidas tributárias previstas no plano, Alencar disse ter preferência por ações que contemplem de forma geral todos os setores.
Desoneração às vezes contempla determinados setores. Eu sou muito a favor de medidas gerais e não medidas específicas que contemplem determinados setores isoladamente.
O vice-presidente José Alencar falou com os jornalistas ao sair do Itamaraty, onde participou de almoço com o primeiro-ministro da Finlândia, Matti Vanhanen.

Fonte: http://www.agenciabrasil.gov.br

quarta-feira, 14 de maio de 2008

LOGÍSTICA NAVAL AQUECE E AMPLIA FROTA NO PAÍS


A logística naval está aquecida no Brasil, mesmo com a carência de investimentos nos portos. Prova disso é que os operadores - como o Grupo Wilson, Sons, que batiza amanhã uma embarcação de US$ 25 milhões, a primeira entre quatro que devem atender a Petrobras, e a Log-In Logística Intermodal, que planeja a construção de dois navios de US$ 165 milhões, para atuar no transporte do minério de bauxita da Alunorte - aceleram seu planos de expansão ao atenderem clientes de peso. Além disso, com as boas perspectivas do mercado, companhias de navegação com o porte do Grupo Hambürg Sud, que inclui a Aliança Navegação, detêm um plano de aplicar 1,7 bilhão de euros em novos navios, parte deles para cumprir rotas que incluem o Brasil, enquanto a CMA CGM fará o mesmo com alguns dos 85 navios encomendados para movimentar contêineres pelo mundo.
No caso da Wilson, Sons, a nova embarcação será batizada pela Saveiros Camuyrano, uma das empresas do grupo que será responsável pela operação dos outros três navios de suprimento e apoio a plataformas de petróleo, (platform supply vessel, ou PSV). "A construção dos PSVs faz parte da estratégia de aumentar nossa participação no mercado offshore", contou Arnaldo Calbucci, diretor de rebocadores, offshore e estaleiro do grupo.
As embarcações estão em construção no estaleiro da companhia, que fechou um outro contrato de US$ 100 milhões, para construir quatro outros PSVs para a argentina Magallanes de Navegação. Dona da maior frota de rebocadores da América do Sul, a Saveiros integra o grupo que é um dos maiores operadores integrados de logística portuária e marítima, e que ainda mantém terminais. No ano passado, o Wilson, Sons cresceu mais de 20%, apresentando receita líquida de US$ 404 milhões.

Diversificação
A Log-In desenvolveu projeto para dois navios graneleiros de 80 mil toneladas com o objetivo de entrar no mercado de transporte de minério de bauxita a granel. Para isso, fechou um contrato de US$ 1 bilhão junto à Alunorte, para os próximos 20 anos, a partir de 2010. "É o primeiro contrato da Log-In para transporte de minério e pode ser estendido por mais cinco anos, além dos 20 contratuais", comentou Mauro Oliveira Dias, presidente da Log-In.
Os dois navios ficarão prontos apenas em 2011, por isso a Log-In vai fretar até três embarcações do tipo Panamax, que comportam em torno de 70 mil toneladas.
A disputa pela construção dos graneleiros, com estaleiro não definido, deve esquentar a indústria naval, já que esse foi o maior negócio fechado na história da cabotagem brasileira, com a possibilidade de movimentar seis milhões de toneladas de minério por ano entre os portos de Trombetas e Vila do Conde, no Pará.
Dias também disse que o primeiro trimestre de 2008 foi positivo, com a ampliação 9,5% no volume de TEUs (twenty-foot equivalent unit, medida de capacidade equivalente à de um contêiner de 20 pés) movimentadas, com a entrada do navio Log-In Amazônia e o atendimento dos novos mercados de Montevidéu e Santos, com destino ao nordeste. E a construção de mais cinco navios, com aporte de R$ 700 milhões, 90% financiados pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM), avança dentro do cronograma.

Navegação
Mesmo com dificuldade de atracar seus navios maiores no Brasil, grandes companhias estrangeiras continuam a apostar suas fichas no País. No caso do grupo alemão Hamburg Süd, controlador da Aliança Navegação e Logística, a intenção é colocar 16 novos navios porta-contêineres em operação, até 2010, para atender às rotas entre o Brasil, a Europa e a Ásia. A Aliança encerrou 2007 com um aumento de 11% na movimentação, totalizando 502 mil TEUs, e ganhos de R$ 2,2 bilhões.
A francesa CMA CGM encomendou uma série de quatro porta-contêineres, que serão integrados à frota em operação no Brasil, o primeiro desses, entrou em operação em abril. No mundo, a empresa encomendou, de vários estaleiros, 85 navios que serão acrescidos à frota até o ano de 2011.
A CMA CGM, que se diz a terceira maior transportadora marítima do mundo, especializada em contêineres, cresceu mais de 40%, no Brasil, ano passado, aumentando seu market share de 6,7% para 8%, com receita de US$ 500 milhões. O objetivo em 2008 é alcançar a casa dos 10%.
No primeiro trimestre, foram lançados dois novos serviços, uma linha direta entre Brasil e África, com conexão em vários países e uma freqüência semanal entre Oriente Médio e Índia.

Mais encomendas da Petrobras vão enriquecer indústria naval
A Petrobras vai encomendar a construção de 146 navios de apoio à produção de petróleo em mar. O presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, anunciou que o programa começa no próximo dia 26, com o lançamento de um edital para a compra de 24 embarcações deste tipo. Um programa parecido para a compra de sondas também está nos planos da empresa, bem como a construção de mais uma refinaria.
Tantos projetos novos refletem as crescentes descobertas com grandes reservas de petróleo e gás, sobretudo na região da camada pré-sal. As descobertas requerem mudanças no gordo plano de investimentos da petroleira, de US$ 50 bilhões, como frisou Gabrielli. O plano de investimentos será modificado e concluído em meados do ano.
"Esses investimentos significam compras para o País, que podem gerar investimentos em vários setores como mecânico, naval, siderúrgico, de engenharia, serviços, que exigem o esforço de tecnologias avançadas. Exige equipamentos e uma indústria naval poderosa", disse, lembrando do recente programa de "superpetroleiros" encomendados pela Transpetro, braço da estatal para a área de transporte. A indústria petroleira vai precisar também de rebocadores.
O programa de encomenda de embarcações de apoio será executado em seis anos. Cada embarcação deverá gerar 500 postos de trabalho, segundo a Petrobras. Cerca de 3,8 mil pessoas serão contratadas para ocupar cargos de tripulantes quando as embarcações estiverem prontas, em 2014, segundo a previsão inicial. Empresas estrangeiras serão chamadas a participar da licitação, mas o conteúdo nacional de toda a nova frota deverá alcançar, por contrato, entre 70% e 80% do investimento, dependendo do tipo de embarcação.
"Esperamos encontrar uma boa resposta da indústria nacional. Até agora, nossa demanda vem sendo atendida de forma satisfatória. E esse é mais um desafio que se impõe daqui para frente", disse Gabrielli.
O aço brasileiro também é preferido, apesar das dificuldades que a Transpetro de negociar a compra do insumo de siderúrgicas locais. Parte dos produtos siderúrgicos será importa-da de empresas asiáticas para a parte do programa de construção dos 26 navios.
Das 146 embarcações programadas, 54 serão empregadas no manuseio de âncoras de grande porte, dez nas atividades de reboque e 64 em atividades de suprimento. E 18 embarcações voltadas para operações de recolhimento de óleo exigidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para cobertura das áreas de exploração e produção de petróleo e gás natural.
Os próximos editais após esse primeiro, com demanda de 24 navios, serão feitos até 2014, com prazos contratuais de oito anos. "Todas as embarcações, uma vez construídas, serão afretadas à Petrobras pelas empresas licitantes".

Empregos
Além de contribuir para o desenvolvimento da indústria naval e estimular a instalação de novos estaleiros no País, o Plano de Renovação da Frota de Embarcações da Petrobras proporcionará significativo aumento da oferta de empregos, tanto durante a construção das unidades quanto depois que os barcos entrarem em operação, pois de acordo com os contratos de afretamento a serem firmados apenas brasileiros poderão tripular as embarcações.

Lucro líquido da Petrobras sobe 68%, para R$ 6,92 bi
O lucro líquido da Petrobras saltou 68% no primeiro trimestre deste ano na comparação com igual período do ano passado, alcançando R$ 6,92 bilhões, em meio à redução de despesas operacionais e ao aumento da produção de petróleo e gás natural.
A estatal anunciou que os ganhos antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficaram em R$ 13,8 bilhões, contra R$ 11 bilhões no primeiro trimestre de 2007.
Analistas consultados pela agência "Reuters" esperavam, em média, um lucro líquido de R$ 5,6 bilhões e um Ebitda -uma importante medida do fluxo de caixa - de R$ 12,6 bilhões. "O lucro operacional cresceu porque cresceu a produção e cresceram os preços. E trabalhamos na redução dos custos operacionais", afirmou a jornalistas o diretor financeiro da companhia, Almir Barbassa.
O fato de a empresa ter encerrado no ano passado os gastos extraordinários com contribuições ao fundo de pensão dos funcionários beneficiou fortemente os resultados financeiros, situação que já era, de certa forma, esperada pelo mercado.
A empresa também citou a menor apreciação do real no primeiro trimestre deste ano como um fator que colaborou para o melhor resultado financeiro.
"O lucro líquido cresceu mais porque teve um impacto menor da valorização do real. No primeiro trimestre de 2007 o real se valorizou em 4% e nesse trimestre apenas 1%", acrescentou Barbassa.
De acordo com o relatório trimestral divulgado pela estatal, a produção média de óleo e gás cresceu 2% em relação ao primeiro trimestre de 2007, "devido à entrada em operação dos FPSO (plataforma flutuante) Cidade do Rio de Janeiro, Piranema e Cidade de Vitória e das plataformas P-52 e P-54."
"Vale destacar o crescimento da produção de gás natural doméstico no trimestre: 11% em relação ao 1º trimestre de 2007 e 10% em comparação ao trimestre anterior", informou o comunicado.

Fonte: DCI 13/5/2008

terça-feira, 13 de maio de 2008

CRESCE BUSCA POR PROFISSIONAL GESTOR DE PROJETOS


Falta de profissionais qualificados no mercado valoriza passe de gestores de projetos
Por GABRIEL PENNA
Um aumento de 30%. Foi o que aconteceu recentemente com os salários dos profissionais que atuam como gestores de projetos nas empresas brasileiras. Esse executivo, responsável pelas obras estruturais que fazem parte do planejamento estratégico de uma companhia, como ampliação de fábrica, construção de novas unidades ou da infra-estrutura de tecnologia, ficou mais disputado com os recentes investimentos feitos na indústria. Sua missão é definir os recursos necessários para realização de um projeto, de matéria-prima a pessoal empregado, para garantir que ele seja entregue dentro do cronograma e do orçamento previstos. Como os projetos de novas plantas e ampliação de fábricas começaram a pipocar, ficou evidente que faltava gente no mercado para dar conta de tudo o que está sendo erguido. E os ganhos se inflacionaram por causa disso.
A Sadia, uma das líderes nacionais na produção de alimentos de origem animal, elaborou um pacote especial de remuneração para os executivos da área e vai abrir dez vagas ao longodo ano. A companhia está executando em 2008 o maior plano de investimentos da sua história, no valor de 1,6 bilhão de reais, destinado à construção de novas unidades no Brasil e no exterior. Para isso, vai treinar profissionais da casa e também buscar gente no mercado. A empresa procura quem tem experiência de pelo menos dois anos em projetos e disponibilidade para viajar ou morar em cidades com pouca infra-estrutura. A Sadia reajustou em até 25% os salários da área e vai arcar com custos de mudança e moradia. "Esses profissionaistendem a ser os mais valorizados da empresa", diz Walmor Savoldi, diretor de planejamento da Sadia.

8 000 PARA NOVATOS
Para desempenhar a tarefa, muitas companhias empregam um engenheiro júnior, um coordenador, um gerente e um diretor de projetos. Muitas vezes, não é fácil encontrar candidatos preparados para assumir a responsabilidade. O gestor de projetos é o grande agente do crescimento das empresas, diz o consultor Victor Varandas, da Michael Page. Na consultoria de recrutamento de executivos, com sede em São Paulo, a demanda pelos gestores aumentou 40% no primeiro trimestre deste ano. Foram 30 vagas abertas. Hoje, 15 delas ainda não foram preenchidas. A formação preferida pelas empresas é engenharia mecânica, química ou metalurgia. O salário varia de 8 000 reais, para um engenheiro júnior com dois anos de experiência e sem certificação, a 20 000 reais, para gerentes de projetos com 15 a 20 anos de experiência. Profissionais que atuam como pessoa jurídica chegam a ganhar 40 000 reais.
A falta de gente com experiência na área se deve, em parte, à estagnação econômica das últimas décadas, que desencorajou novos investimentos na produção. Em geral, a metodologia e a carreira de gestão de projetos ainda estão engatinhando no Brasil. Segundo um estudo divulgado em 2007 pelo Project Management Institute (PMI), entidade americana de promoção do gerenciamento de projetos, 20% das 184 empresas consultadas ainda não reconhecem a atividade. E apenas 34% têm profissionais exclusivos para a função.

TI DEU A LARGADA
Os setores em que a carreira de gerente de projetos é mais reconhecida são tecnologia, consultoria, construção e finanças. Mas a expectativa é de expansão. A onda começou nas grandes empresas de TI, mas está se espalhando para outras áreas, diz Luís Augusto dos Santos, presidente do PMI em São Paulo. A entidade, que oferece o certificado internacional em gestão de projeto mais reconhecido no mercado, tem 4 500 associados no Brasil, número que cresce 12% ao ano. Já o número de profissionais certificados no país é de pouco mais de 2 000 pessoas. O engenheiro civil Eduardo DAraújo, de 33 anos, já concluiu o curso preparatório oferecido pela Método e vai fazer a prova do PMI nos próximos meses. Sua experiência de quatro anos como coordenador de projetos de uma unidade da construtora, com sede em São Paulo, já foi suficiente para despertar o interessedo mercado. "Recebo de duas a três propostas por mês" diz.
Para ser gerente de projeto de carteirinha o executivo precisa comprovar três anos de experiência na área, fazer curso preparatório e prova. Hoje fica mais fácil preparar-se, pois a oferta de pós-graduação em gerenciamento de projetos está crescendo. Os profissionais têm ainda como opção tirar o IPMA, certificado de origem européia, que também exige experiência em campo. As certificações não são obrigatórias para atuar na área, mas podem vir a ser. A Método, por exemplo, lançou um programa de treinamento para que todos os seus gerentes e diretores de área sejam certificados. Eles certamente terão mais portas abertas depois do diploma.

Fonte: http://vocesa.abril.com.br/edicoes/0119/aberto

segunda-feira, 12 de maio de 2008

APEX-BRASIL FACILITA PROCEDIMENTOS PARA EXPORTADOR


A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) terá uma atuação mais agressiva no esforço para diversificar a pauta de exportações e colocar novas empresas no mercado internacional. A meta para 2008 é ampliar em 28% o número de empresas atendidas, que passariam de 4.700 para 6 mil. E para atrair novas empresas interessadas em exportar, a Agência simplificou procedimentos e reduziu o prazo de aprovação de projetos, de 120 para 45 dias.
Em 2007, as empresas atendidas pela Apex-Brasil exportaram US$ 12 bilhões. Para cada US$ 1 aplicado na promoção comercial foram gerados US$ 58 em exportações. Enquanto as exportações brasileiras cresceram 16,47%, as exportações das empresas apoiadas pela Apex-Brasil aumentaram 19,14%. Essas empresas exportaram para 200 países.

Com a mudança na regulamentação dos convênios firmados com entidades setoriais que representam as empresas exportadoras, não será mais exigida a carta-consulta para apresentação de um projeto de apoio à promoção comercial no exterior, o que vai agilizar o processo, encurtando os prazos para realização das ações efetivas de promoção comercial.

MERCADOS PRIORITÁRIOS

O plano de trabalho da Apex-Brasil de 2008/2010 inclui a priorização de alguns mercados no trabalho de promoção comercial e a definição de países "trader", aqueles considerados porta de entrada para os mercados de determinadas regiões.

São eles: Argentina, Colômbia, Cuba, Peru, Venezuela, Chile (trader) e Panamá (trader) na América Latina; Noruega, Polônia, Rússia, Turquia (trader) na Europa; China, Coréia do Sul, Vietnã e Cingapura (trader) na Ásia; Canadá, EUA e México na América do Norte; Angola, Egito, África do Sul (trader) e Emirados Árabes (trader) na África.

Além de reforçar o trabalho de inteligência comercial, a Agência vai ampliar o número de missões, feiras e rodadas de negócios no Brasil e no exterior. Em 2008, está prevista a realização de 600 eventos internacionais, incluindo todas essas modalidades.

O atendimento direto aos empresários também está sendo reformulado, com a criação de um serviço de atendimento ao cliente e postos da Apex nos estados. Os Centros de Negócios - localizados em Miami, Lisboa, Varsóvia, Frankfurt e Dubai - passam por uma reestruturação, para atender melhor às necessidades de internacionalização das empresas brasileiras. Pequenos e médios empresários podem utilizar esses espaços como escritórios de negócios, showroom e centro para armazenagem de produtos. Ainda este ano serão implantados mais dois Centros: um na América Latina e outro na China.

Fonte: Apex-Brasil 08/05/08

domingo, 11 de maio de 2008

INAUGURADA PONTE ESTAIADA EM SP

A recém-inaugurada ponte Octávio Frias de Oliveira, que liga a Avenida Jornalista Roberto Marinho à Marginal Pinheiros, na Zona Sul de São Paulo, foi liberada para o tráfego de veículos a partir das 18h de sábado (10). A obra havia sido inaugurada por volta das 12h, com queima de fogos de artifícios e a presenças de várias autoridades, como o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o governador José Serra (PSDB). A nova ponte deverá aliviar o trânsito na Avenida Bandeirantes, uma das mais congestionadas da capital, já que poderá ser utilizada como ligação de quem trafega pela Marginal Pinheiros e segue para o Jabaquara e Rodovia dos Imigrantes.
Cerca de 300 pessoas acompanharam a inauguração. Entre elas, o padre Marcelo Rossi, que abençoou a ponte. Ele afirmou ter ido ao local por ser “um grande amigo do prefeito Gilberto Kassab”. “Tenho um respeito profundo. A igreja não tem partido, mas tem amigos”, disse ao chegar ao local onde ocorreu a cerimônia de inauguração. “Isso aqui é fantástico, um cartão-postal”, disse o padre sobre a obra.

Impacto
Tanto o prefeito quanto o governador ressaltaram a importância da obra para a cidade. “Inauguramos uma obra importante, uma das que mais consumiram recursos para o transporte na cidade”, afirmou Gilberto Kassab. O prefeito, entretanto, ressaltou que o maior compromisso de seu governo são os investimentos no setor social, principalmente saúde e educação. “Reduzimos o número de grandes obras. Por isso, selecionamos com critério as poucas obras”.
Para o governador José Serra, a ponte é um “marco no desenvolvimento na cidade”. Ele ressaltou que a inauguração da ponte não vai solucionar totalmente os problemas de trânsito da região. “Ela vai desafogar algumas coisas, mas nem tudo. Vai ser essencial a construção do túnel ligando a Avenida Jornalista Roberto Marinho à Rodovia dos Imigrantes”. Segundo ele, a prefeitura já começou a trabalhar nos projetos e o estado irá apoiar construindo conjuntos habitacionais para os moradores das favelas na região da avenida.
Os dois pouco falaram sobre o recorde histórico de trânsito registrado na noite desta sexta-feira (9). “O trânsito foi causado pelo caminhão quebrado. Foi algo atípico. Vamos continuar investindo no setor e adotando ações”, disse Kassab.
Projeto
A ponte, que começou a ser projetada em 2003, deve beneficiar os motoristas que circulam por bairros como Brooklin, Campo Belo e Jabaquara. A ponte tem capacidade para 4 mil veículos por hora em cada sentido, mas, segundo a prefeitura, no início cerca de mil carros devem passar por ela a cada hora. A ponte permite o acesso direto da Marginal Pinheiros – no sentido Interlagos - à Avenida Jornalista Roberto Marinho. Além disso, o motorista que circula pela avenida poderá acessar os dois sentidos da marginal. A intenção é desafogar o tráfego no cruzamento das avenidas Jornalista Roberto Marinho e Luís Carlos Berrini, além de diminuir o trânsito de veículos sobre a Ponte do Morumbi nos horários de pico. A estrutura chama a atenção de quem passa por causa, principalmente, da altura do mastro, de 138 metros – o que equivale a um prédio de 46 andares. Ele é a base das duas pontes em X, que são sustentadas por 144 estais (cabos), revestidos em polietileno amarelo, com comprimentos entre 79 e 195 metros.
De acordo com o arquiteto João Valente Filho, responsável pelo projeto de arquitetura e urbanismo, a cor amarela foi escolhida para produzir um efeito. “Eu optei por fazer da cor amarela para criar uma aura de luz em torno do mastro”, explicou. Além disso, a disposição dos estais também permite, de acordo com o arquiteto, visões diferentes dos cabos. “Têm lugares que você vê a geometria, têm lugares que eles se misturam.”
A idéia inicial era a construção de duas pontes comuns, mas os engenheiros consideraram que elas teriam um impacto muito grande no ambiente. “No desenvolvimento do projeto, nós percebemos que, se o tabuleiro fosse em curva, diminuiria o impacto no meio urbano. Ela ocupou muito bem o vazio que tinha no meio do rio e tem uma relação amistosa com o entorno”, disse Valente Filho.
O investimento na obra foi de R$ 260 milhões, de acordo com a Empresa Municipal de Urbanização (Emurb). A ponte faz parte da Operação Urbana Água Espraiada. O projeto prevê também o prolongamento da Avenida Jornalista Roberto Marinho até a Rodovia dos Imigrantes, que liga São Paulo ao litoral, que deve ser concluído até 2010.

Fonte: OGlobo em 10/05/2008

quinta-feira, 8 de maio de 2008

RODOVIÁRIO DIMINUI E ENTRA A MULTIMODALIDADE


Atentos às tendências do mercado, os grandes operadores logísticos do modal rodoviário buscam diversificar sua atuação, ao implementarem outras opções para o transporte das cargas. Com isso, empresas como a Julio Simões, que confirma sua entrada no modal fluvial e a Ceva Logistics que estuda opções para estender suas operações na cabotagem (navegação costeira), conseguem driblar problemas como a elevação dos preços nos combustíveis, conseguindo assim, otimizar os custos, além de reduzir o tempo na movimentação, em alguns casos, e fidelizar a clientela.
Por outro lado, uma das líderes nacionais em entregas expressas, a TNT Mercúrio, nova marca da TNT, e que diz deter 15% do mercado expresso brasileiro, com um plano de investimento de 100 milhões de euros em 10 anos, revela que pretende iniciar operações com aeronaves próprias no intuito de fortalecer a conectividade das entregas entre Brasil, Europa e Ásia, além de aumentar a gama de serviços nessas rotas.
Para Irecê de Andrade, executiva de logística da companhia Julio Simões, esse é um movimento que as empresas mais fortes vêm demonstrando. "Acredito que o rodoviário ainda tem muito a crescer, mas quando você fornece serviços multimodais não fica refém de uma única forma de transportar, estratégia que as grandes empresas vêm usando cada vez mais", analisou a executiva.
Iricê disse, em entrevista exclusiva ao DCI, que no novo braço de atuação a Julio Simões irá realizar diretamente a operação, sem terceirização: a região, o tipo de embarcação e as cargas que vão ser transportadas, só serão revelados nos próximos dias, após o fechamento do negócio. Com a diversificação dos negócios, a empresa quer atingir um faturamento de R$ 2,3 bilhões em 2008, contra o R$ 1,85 bilhão conquistado no ano passado.
Demonstrando que o modal rodoviário deve continuar forte, a empresa fez a aquisição de 400 caminhões e vai mais que dobrar essa compra este ano, com a incorporação de mais 450 ainda em 2008.
Em sintonia com os caminhos que o setor logístico vem tomando rumo à multimodalidade, o presidente da Associação Nacional de Logística (Aslog), Adalberto Panzan, segue a teoria da diretora da Julio Simões ao qualificar o movimento multimodal com uma opção dos grandes operadores para se fortalecerem, otimizando operações e custos. "Essas empresas ficam cada vez maiores, com operações multimodais que possibilitam ganhos de sinergia e de escala", explicou.
Cabotagem
A Ceva também segue as tendências do setor ao considerar a interação de mais de um modelo de transporte, uma alternativa. "Realizamos estudos de viabilidade para novas formas de transporte, como por exemplo, a cabotagem", sinalizou Giuseppe De Vincenzo, diretor da Ceva para a América do Sul.
Ricardo Melchiori, diretor de Operações da Ceva, reafirmou as colocações Vincenzo ao revelar "que desenvolve há um ano um projeto intermodal, para atender principalmente às empresas que movimentam grandes massas (commodities) por todo o Brasil", e que "as novas alternativas envolvem tirar o máximo proveito de todos os recursos logísticos disponíveis em cada região para otimizar o transporte".
Melchiori cofirmou também que o aumento no preço do frete, por conta da alta no diesel, acelerou o processo de diversificação, já que 99% da frota é terceirizada, e que hoje, na fase final de projeto, a Ceva está numa posição mais confortável, iniciando negociações contratuais com alguns clientes, e conseguindo implantar a novidade no segundo semestre deste ano.
A Ceva pretende superar os R$ 430 milhões faturados em 2007 em mais 10% neste ano, salto que pode levar a empresa ao objetivo de dobrar os negócios e ultrapassar a casa dos R$ 800 milhões dentro de cinco anos.

Aéreo
No caso da TNT Mercúrio, a empresa já realiza remessas de encomendas pelo modal aéreo por meio de parcerias, mas, para acrescer ainda mais os negócios, pretende conseguir o direito de vôo para pôr em operação, no Brasil, um avião próprio. Hoje, o transporte rodoviário é responsável por 92% da movimentação de encomendas. De acordo com Roberto Rodrigues, presidente da TNT Mercurio, além de aquecer as remessas aéreas, a aeronave trará mais opções para o comércio internacional. "Esse ano colocamos dois aviões voando entre a Europa e a Ásia, e, com essa possibilidade, poderemos ligar o Brasil com essa rota", avaliou.
O sucesso dos planos da TNT Mercúrio com o vôo próprio depende da autorização dos órgãos federais responsáveis para que a empresa consiga os direitos de vôo, que, se conseguidos, farão dela a única empresa que terá a possibilidade de oferecer serviços expressos domésticos e internacionais por terra e ar, por meio do mesmo prestador.
Rodrigues também falou sobre os planos de expansão do modal no rodoviário, com o incremento do transporte internacional na América do Sul, e intenção em interligar, Chile, Uruguai e Argentina. Hoje, a empresa só realiza o transporte do Brasil até estes países, porém não o faz entre eles, próximo passo de expansão.

Fonte: DCI 8/5/2008

quarta-feira, 7 de maio de 2008

ALUNO LEVA EMPRESA A ECONOMIZAR R$ 1,4 MI POR ANO



O aluno do curso Superior em Logística da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), Marcos Silva, teve uma idéia para diminuir os gastos com manutenção de caminhões, combustível e pneus. Aplicado, focou seu estudo na busca de alternativas econômicas e, graças ao seu projeto, a empresa em que trabalha deve economizar em torno de R$ 1,4 milhão ao ano.
Silva trabalha, há dois anos, na Henrique Stefani, empresa de transporte e logística do Rio Grande do Sul, onde entrou como comprador júnior. E desde o primeiro dia, queria encontrar uma maneira de diminuir os custos do transporte de cargas líquidas perigosas.
"Tinha que desenvolver uma pesquisa de final de curso e foquei os meus estudos nas alternativas de economia para a Henrique Stefani", contou. De acordo com informações da universidade, a primeira iniciativa foi sugerir a colocação de um posto de reabastecimento próprio em três filiais no Brasil. "Compramos o diesel diretamente da distribuidora a preço de custo e com garantia de qualidade. Com isso, vamos economizar o equivalente a quatro novos caminhões por ano", conta.
Outra solução foi a venda de diesel aos terceirizados. Assim, os prestadores de serviço reabastecem na Henrique Stefani, com o valor um pouco acima do pago à distribuidora para pagar taxas de administração. Mesmo assim, diz Silva, o preço fica bem abaixo do praticado no mercado. "Ganha a empresa e o seu prestador de serviço", explica o estudante. No tempo em que é abastecido (cerca de trinta minutos), cada caminhão ainda recebe uma inspeção de segurança e uma revisão mecânica.
Agora, Silva busca uma alternativa para aplicar seus estudos e conseguir reduzir os custos em relação aos pneus, começando pela venda para uma empresa de reciclagem de borrachas que trabalhe no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Já como coordenador de controles operacionais, o estudante quer completar seu projeto. O primeiro posto nas filiais já funciona em Limeira (SP) desde março último. Com a instalação em Santo André (SP) e Simões Filho (BA), o abastecimento da frota dentro dos pátios da empresa chegará a 90%.
Para Silva, quem opta por estudar logística não fica sem emprego. Ele credita ao curso grande parcela do seu sucesso. "O mais legal do curso, além de ele ser focado, é que quem senta ao teu lado é colega que já atua na área", avalia.

Fonte: http://www.itweb.com.br/voce_informa

terça-feira, 6 de maio de 2008

Greve: Prejuízos de R$ 6 bilhões


O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, endureceu o tom contra a greve dos auditores fiscais da Receita Federal e encerrou as negociações. Para o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), a greve continua por tempo indeterminado. Na avaliação do secretário-geral da Unafisco, Rogério Calil, o prejuízo com a greve deve ser semelhante ou superar o de 2006, que acarretou perdas diárias de R$ 120 milhões. Por esse cálculo, o movimento atual, que dura 50 dias, já causou perdas de R$ 6 bilhões.
A paralisação tem dificultado o recebimento de insumos e começa a afetar as exportações de empresas de autopeças. A Delphi, fabricante de baterias, montou um comitê para monitorar 24 horas por dia os portos e aeroportos para atenuar os problemas. A Associação Brasileira de Transportes Internacionais estima em 1,8 mil o número de caminhões parados nas fronteiras dos países do Mercosul.

Governo não corta ponto de auditor em greve

O Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais) confirmou ontem que o governo não efetuou o corte de ponto dos servidores em greve há quase 50 dias, como prometido pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, na semana passada.
Embora a Justiça tenha autorizado o desconto dos dias não trabalhados a partir de 8 de abril, o salário do mês foi pago integralmente na última sexta, segundo o sindicato.
O Ministério do Planejamento afirmou ontem, por meio de sua assessoria de imprensa, que a orientação do governo era a de cortar o ponto, mas a decisão final é da Receita Federal. Procurado pela reportagem, o órgão não respondeu.
Na semana passada, Bernardo afirmou que o governo faria o desconto dos dias parados, mas de forma parcelada.
Bernardo Lauar, auditor fiscal em Poços de Caldas (MG), está em greve desde o dia 18 de março, quando começou a paralisação dos servidores. Ainda assim, ele disse que recebeu o salário integral na sexta-feira.
Ontem, o ministro do Planejamento afirmou que o governo não pretende ceder ainda mais nas negociações com os grevistas. "Não temos a menor possibilidade de melhorar, do ponto de vista deles [os auditores], o que oferecemos. Não vejo mais o que negociar com eles", afirmou Bernardo.
Apesar do pagamento dos dias não trabalhados, o movimento grevista mostra sinais de enfraquecimento. Na assembléia realizada na última quarta-feira, 55% dos auditores votaram pela manutenção da greve, contra 75% na assembléia anterior.
No aeroporto de Cumbica e no porto de Santos, a maioria dos auditores votou pela suspensão da greve por 21 dias, mas os servidores seguiram a orientação nacional do sindicato e decidiram manter a operação-padrão, com todos os auditores na repartição, mas realizando o trabalho o mais lento possível.
Nesta semana, provavelmente na quinta-feira, segundo o secretário-geral do Unafisco, Rogério Calil, a categoria irá se reunir em assembléia para decidir sobre o fim da greve.
"Tudo depende da sinalização do governo", diz Calil. De acordo com ele, porém, não há ainda nenhuma reunião marcada com as autoridades.
Um dos principais pontos de discordância entre os auditores e o governo está no calendário de implementação do reajuste salarial. O governo propôs que, até julho de 2010, o piso dos auditores, hoje em R$ 10 mil, passe para R$ 14 mil. Já o teto salarial, hoje em R$ 13 mil, passaria a ser de R$ 19 mil. O acordo não fecha porque os auditores querem o aumento para 2009.
O setor de importação prevê que possa haver falta de alguns produtos para o Dia das Mães. O presidente da Abipp (Associação Brasileira de Importadores de Produtos Populares), Gustavo Dedivitis, diz que itens de decoração ou utensílios domésticos de preços mais baixos devem faltar nas lojas. "Para nós, o Dia das Mães acabou." Com liminares, liberação de carga é agilizada.

Fonte: Gazeta Mercantil 6/5/2008