sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Logística impede crescimento do agronegócio brasileiro


Para Roberto Rodrigues, ex-ministro, país precisa melhorar questão da infraestrutura.
Potencial de crescimento é enorme, mas faltam acordos comerciais, diz.

Fabíola Glenia
Do G1, em São Paulo


O grande gargalo que impede o crescimento do agronegócio brasileiro é a logística, na opinião de Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-ministro da Agricultura . “A principal barreira é logística. O grande dilema do Brasil é logística, a falta de portos, estradas, ferrovias, armazéns.”

Exportações do agronegócio do Brasil têm recorde em 12 mesesTransporte ruim atrasa prosperidade do agronegócio do Brasil, diz 'FT'A declaração foi feita na quarta-feira (1º), durante evento de lançamento das feiras Induspec Animal Expo&Business e Agrinsumos Expo&Business, previstas para ocorrerem em julho do próximo ano.

Apesar deste entrave, Rodrigues garante que o cenário à frente é positivo. “Hoje, na área de logística, a gente tem um projeto, que é o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Se ele sair do papel, muda de figura completamente a questão da infraestrutura no Brasil. Mas é um tema lento demais”, admitiu.

Produção
Durante palestra para lançamento dos eventos, Rodrigues destacou números que reforçam o potencial de crescimento do agronegócio brasileiro. “A OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) imagina que, em dez anos, de hoje a 2020, a oferta mundial de alimentos tem que crescer 20% para atender à demanda dos países emergentes. Ela mesma reconhece a contribuição de cada região do planeta da seguinte maneira: Europa: 4%; Austrália: 7%; Estados Unidos e Canadá: de 10% a 15%; Rússia, Ucrânia, China, Índia: em torno de 25%; e o Brasil tem que ser 40%. (...) Não podemos perder esta oportunidade. É um desafio monumental só para alimentos.”

Segundo ele, nos últimos 20 anos, a área plantada com grãos no Brasil cresceu 26% e, no mesmo período, a produção de grãos cresceu 155%. “A produção cresceu seis vezes mais que a área plantada.”

Ainda com foco no potencial de crescimento da produção agropecuária no país, Rodrigues destacou que, dos 850 milhões de hectares que o Brasil tem, só 8,5% são cultivados, cerca de 70 milhões de hectares. “E pouco menos de 200 milhões de hectares de pasto. Nós não ocupamos hoje nem 30% da área com pastagem e agricultura. E ficam aí nos acusando de destruidores do meio-ambiente, de trabalho escravo.”

Ele destaca que o país tem hoje cerca de 96 milhões de hectares de pastagens que são aptos para a agricultura. “Só 96, mas é mais do que o setor tem hoje em dia plantados”, diz.

Na opinião do ex-ministro da Agricultura, esta enorme capacidade de crescer e atender à demanda mundial por alimentos e energia vinda da agricultura é parte do que impede o progresso da Rodada de Doha. “É isso aqui que bloqueia Doha. Vem um americano e vê isso, vem um australiano e vê isso, vem um alemão e vê isso... ‘temos que segurar esses caras, senão, eles vão comer a gente’. E vamos mesmo. Estamos ganhando mercados sem nenhum acordo comercial, estamos ganhando mercado pela pura eficiência competitiva do produtor rural brasileiro”, fala.

Empregos
Sobre a crítica de alguns setores da economia que dizem que o agronegócio emprega pouco e que matéria-prima tem baixo valor agregado no momento da exportação, Rodrigues usa dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para defender o setor. “Os dados oficiais do IBGE dizem que o agronegócio é o setor que mais emprega no país: 37% dos empregos diretos e indiretos vêm do agronegócio, portanto, mais de 1/3. Não é verdade que seja um setor que emprega pouco. Nós representamos 27% do PIB nacional. De modo que tem um peso social no nível de emprego e no nível econômico muito significativo. O saldo comercial do agronegócio é o dobro do saldo comercial do país”, defende.

O agricultor, o pecuarista, quem produz o produto agrícola precisa de adubo, de semente, fertilizante, defensivo, de corretivo, de tratores, de colheitadeira, de arados, grades, carretas, caminhão, insumos que são produzidos pela indústria. O agronegócio é poderoso porque gera uma cadeia de empregos ampla”, argumenta.

Mas o ex-ministro da Agricultura reconhece que seria importante – e é interesse do setor – exportar itens com maior valor agregado, mas, o problema, neste caso, é a falta de acordos comerciais. “O Brasil exporta 1/3 do café verde do mundo e menos de 3% do café torrado e moído. A Alemanha e a Itália exportam 60% do café torrado e moído e não tem um pé de café. Não adianta a gente querer torrar e moer, porque se não tiver um acordo comercial com os distribuidores lá fora, você não exporta o seu produto. O café chega no porto e morre no porto”, diz. “Se não houver acordo comercial, que implica em ação de governo, e também do setor privado, não vai a lugar nenhum.”

Fonte: http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Redes programam logística para a demanda



Por: Paula Cristina

SÃO PAULO - Com forte expectativa de crescimento das vendas em 2011, grandes redes varejistas começam a ampliar seus serviços e preveem abertura de novos centros de distribuição (CD), como a rede de farmácias Pague Menos, que anunciou a abertura de um novo CD no sudeste, com meta de melhorar o atendimento na região. Além dela, a rede de lojas Havan afirma investir em um megacomplexo que envolverá também uma parte de armazenamento para melhorar a distribuição. No ramo supermercadista, para turbinar os estoques o Grupo Pão de Açúcar (GPA) afirma ter investido na aquisição de novos equipamentos para seu CD.

Majoritária no norte e no nordeste, a rede Pague Menos espera expandir seus negócios no mercado do centro-oeste, sul e sudeste brasileiro, e prepara um novo CD. "Ainda estudamos se o novo CD será em Minas Gerais, Rio de Janeiro ou outro estado, mas será na região", afirmou Deusmar Queirós, presidente do grupo.

O novo CD terá capacidade instalada para atender 300 lojas e deverá ter 15 mil m². "Logística para o interior dos estados é difícil, por isso é necessário um CD ainda mais perto", afirmou. O novo centro de distribuição também atuará em uma melhora no segmento de comércio eletrônico (e-commerce) do grupo. "Já atendemos com e-commerce, mas, até por termos o outro CD em Fortaleza [CE], nem sempre podemos atingir todos os locais do País. Com a chegada do novo CD teremos uma ampliação de atendimento e uma agilidade em entrega", afirmou o executivo, que continuou: "Quando você precisa de um remédio, você precisa na hora, não dá para esperar três dias, como no e-commerce de DVDs."

Hoje, a rede farmacêutica possui um CD em Fortaleza já com cerca de 60% da capacidade instalada em uso. "Com a demanda restante no CD de Fortaleza daria para abastecer todo o Brasil, mas precisamos estar mais perto da rede varejista, por isso a abertura de um novo CD é mais estratégica", disse Queirós.

"Apostamos e queremos muito crescer em todo o sudeste, centro-oeste e sul do País. O novo CD virá para mostrar que temos confiança nesse mercado e esperamos um 2011 ainda melhor, em que a capacidade instalada será muito usada", declarou ele.

Supermercados
Também de olho nas vendas de 2011, o Grupo Pão de Açúcar mira a aquisição de 89 transpaleteiras da marca americana Crown, distribuída no Brasil pela Commat Comércio de Máquinas. "Como temos as melhores expectativas para 2011, é natural que nos preparemos da melhor forma possível", afirmou Hugo Bethlem, vice-presidente executivo do Grupo Pão de Açucar.

A ideia é que as novas máquinas já estejam em uso em 2011 e que sirvam para potencializar e otimizar os serviços oferecidos pelo grupo. "Hoje a questão de logística é de suma importância para o bom desempenho de uma rede de supermercados. Desta forma, é preciso que a gente melhore o serviço à medida que cresce a demanda, que é o caso das nossas projeções para 2011", afirmou Bethlem.

De acordo com o executivo, o investimento é resultado do otimismo financeiro que o grupo tem para o Brasil. "Quando anunciamos a entrada de R$ 5 bilhões no Brasil nos próximos três anos [2010 a 2012] já prevíamos investimentos em aquisição de equipamentos, infraestrutura e logística", disse.

CD com benefícios
Para crescer e ganhar musculatura, a rede Havan, de eletrônicos, cama, mesa e banho, deu início no ano passado ao projeto de uma megaloja que envolve centro de distribuição. A proposta é ter ainda posto de gasolina e praça de alimentação, tudo às margens da BR -101, em Barra Velha (SC). A megaestrutura, que deverá ser entregue até dezembro, teve investimento de R$ 30 milhões e busca as vendas do verão de 2011.

A proposta da rede é criar no local um atrativo turístico a mais, e para isso pretende erguer uma réplica da Estátua da Liberdade com 52 metros de altura e equipada com um elevador. De acordo com Luciano Hang, diretor presidente da Havan, a Parada Havan - nome dado ao complexo - irá revolucionar o atendimento aos viajantes na rodovia, além de melhorar a logística com o novo CD.

Cosméticos
Recentemente, a Natura anunciou a expansão de seus modelos de produção e logística também com o objetivo de atender melhor a demanda a partir de 2011. O novo modelo apresentado pela companhia prevê a abertura de dois novos centros de distribuição no Brasil (Curitiba -PR e São Paulo -SP), e de dois centros de estocagem (hubs) e a ampliação do complexo-sede da Natura, em Cajamar (SP).

Com isso, a empresa deve encerrar 2011 com 14 CDs no País. "Queremos, mais que duplicar, triplicar a produtividade", disse o vice-presidente de Operações e Logística da Natura, João Paulo Ferreira.

Em outubro, a companhia inaugurou dois centros de distribuição que já estão em operação, em Uberlândia (MG) e Castanhal (PA). Já a abertura dos centros em Curitiba e São Paulo está prevista em junho e no último trimestre de 2011. Ainda no ano que vem, a empresa planeja ampliar os centros de distribuição em Mathias Barbosa (MG), Simões Filho (BA) e Jaboatão dos Guararapes (PE).

Sem revelar investimentos no novo modelo, Ferreira afirmou que os aportes serão feitos com recursos próprios. "Cremos que não há nenhuma intenção de captação de recursos", disse ele, acrescentando que os investimentos previstos integram o plano de R$ 250 milhões programado para este ano.

Fonte: http://www.dci.com.br/noticia

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dilma Rousseff deve investir em logística

Dilma Rousseff deve investir em logística
RIO DE JANEIRO - O futuro governo de Dilma Rousseff terá de equacionar um grave problema para garantir o dinamismo do setor agrícola nacional. “É a logística”, afirmou hoje (1º) à Agência Brasil o vice presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Joel Naegele. “Isso importa em substituir o transporte rodoviário, que é o mais caro, por transporte ferroviário, fluvial e marítimo. Esse é o grande problema”.

Segundo o executivo, a produção agrícola brasileira é mais competitiva que a dos Estados Unidos ou da Argentina. Observou, contudo, que na hora em que o produto sai da porteira da fazenda, o produtor começa a perder. O transporte é feito por caminhão, as estradas são ruins e o produto demora a chegar ao destino. “Ele perde tudo que ganhou produzindo bem quando põe o produto na estrada. O grande gargalo da agricultura é logística de transporte”.

Naegele citou a Ferrovia Norte-Sul, com extensão total de cerca de 6 mil quilômetros, cuja obra começou em 1987 e ainda não foi concluída. “Vai passar por estados altamente produtores, como Goiás e Tocantins, e o fim dessa ferrovia é o porto. Então, você começa a resolver o problema. Vai dar muito mais lucro, sem precisar aumentar preço. O produtor vai ganhar no transporte, porque o transporte rodoviário está matando a galinha dos ovos de ouro, que é a produção agrícola brasileira”, disse Naegele.

Fonte: http://www.dci.com.br/noticia

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

ANTT amplia prazo para pedido de dados sobre trem-bala



Por: LEONARDO GOY - Agencia Estado

BRASÍLIA - A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) vai prorrogar por duas semanas o prazo para que os investidores interessados em disputar o leilão do Trem de Alta Velocidade (TAV) possam solicitar esclarecimentos. Originalmente, o prazo terminaria no dia 1º de novembro mas, atendendo a pedidos dos próprios empreendedores, a ANTT deverá divulgar entre hoje ou amanhã nota ampliando oficialmente em 15 dias o período para consultas.


Segundo a agência, as demais datas do cronograma de licitação do trem-bala, que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, estão mantidas. O leilão ocorrerá no dia 16 de dezembro, às 11 horas, na BM&FBovespa.

Ontem, a ANTT divulgou a versão final e consolidada do edital. A primeira versão foi publicada em julho passado. A ANTT manteve as linhas gerais do documento original, como o preço-teto da tarifa do serviço Rio-São Paulo a ser observado pelos interessados no leilão: R$ 0,49 por quilômetro na classe econômica. Vencerá a disputa quem oferecer o menor preço.

Fonte: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia+geral

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A incrível tecnologia da rosa

Paulo Selbach, produtor e exportador de rosas na Ibiapaba

A floricultura do Ceará já se apropriou da moderna tecnologia. Na Ibiapaba, o empresário Paulo Selbach produz e exporta 30 variedades de rosas e tem, em estufas, mais de 300 em testes, todas com cores diferentes

Há 15 anos, o senhor vendia calçados da Azaleia. Hoje, é produtor e exportador de rosas. O apelo da rosa é maior do que o do calçado?


Nós já plantávamos rosas havia muito tempo, desde o meu avô e meu pai. Eu, antes de vender sapato, também trabalhei com rosa até os 28 anos de idade. Foi aí que minha vida mudou, porque parei de trabalhar com flores e fui trabalhar numa fábrica de sapatos com o nome de flor, Azaleia. Mas essa coisa nunca sai da gente. O agricultor sempre será agricultor. O cheio de terra jamais nos deixa. Eu sempre quis um dia voltar, e acabei voltando aos 50 anos. Hoje, estou com 63. As coisas são assim mesmo.


Como foi apropriar-se da tecnologia de cultivar rosa?

Isso é um fato interessante e de extrema relevância. Primeiro, cada vez mais a tecnologia no plantio de flores tem se configurado algo muito importante. Hoje, você trabalha com irrigação, com sistema de água muito rígido, ninguém mais pode estar esbanjar água, e eu sou um dos grandes batalhadores por água na Serra da Ibiapaba. Hoje, me ponho como um cara que está na Ibiapaba para defendê-la, para preservar seu ecossistema. Antes, as coisas não eram assim. A tecnologia das flores veio extremamente forte. Você hoje tem empresas trabalhando com tecnologias fantásticas. Nós trabalhamos com pessoal de Israel, que cuida de toda a parte de irrigação; toda a parte de filme plástico para as nossas estufas também vem de Israel. Hoje, há faculdade na Colômbia com cadeiras específicas para a floricultura; nosso engenheiro, por exemplo, é colombiano; no Brasil, nós ainda não temos, mas vamos ter com a Unilab (Universiade Luso-Afro-Brasileira) que se instalará aqui no Ceará, na cidade de Redenção; teremos lá uma cadeira específica para flores. Eu vejo a tecnologia chegando ao Ceará, exatamente por causa desses empreendimentos. Agora, persuadir um comprador de sapato (risos) é algo assim... Sapato é algo que trabalha talvez com uma moda mais abrangente.

O sapato pede só o sentido da visão, enquanto a rosa exige também o olfato, não é?

Exige o olfato, a visão e a emoção. A rosa tem algo emocional. Por isso que os grandes consumidores de flores, no mundo, são pessoas que vivem emocionalmente algum momento, seja ele agradável ou não. A rosa existe para celebrar a felicidade.

Quando eu era menino, as rosas eram vermelhas, amarelas ou brancas. Hoje, elas têm dezenas de cores. Isso é segredo ou pode ser revelado?

Essa é uma das grandes mudanças tecnológicas. Há 30 anos, quando eu vendia flor, as cores das rosas eram mesmo só aquelas três. Não havia outras cores, e a vermelha era, como ainda é hoje, a que mais se vendia, principalmente em dias de festas. Mas tem uma coisa: a tecnologia fez com que o "breeder" - que é o melhorista, ou seja, o especialista que trabalha com a genética das flores - revolucionasse a floricultura. Foram mudanças fantásticas registradas nos últimos 20 anos. Hoje, você tem, em uma única pétala de rosa, até três cores diferentes. Isso tudo é avanço genético. Isso é trabalho dos melhoristas, é ação dos "breeders", é uma coisa muito técnica. Eu conheço os principais "breeders" do mundo, que são alemães, holandeses, franceses e italianos. Eu conheço cada uma das empresas de "breeders". Quando você entra lá é como se você entrasse em um grande farmacêutico mundial.

No seu roseiral, na Serra da Ibiapaba, quantas variedades de rosas são cultivadas hoje?

Hoje, em produção instalada para o mercado, isto é, em escala, estamos com umas 30 variedades. Mas no nosso laboratório de testes - uma estufa com 5 mil m² - temos mais de 300 variedades em testes. São variedades que os "breeders" nos mandam.

Cada variedade tem uma cor, tem nome, tem registro e tem DNA. Por isso é que uma variedade, criada em clima frio, pode chegar aqui no nosso clima tropical e experimentar uma mutação genética, natural. Não é, porém, com essa mutação que vou chegar lá na Europa e dizer aos "breeders" que eu melhorei a planta. Nada disso, a genética dela, o seu DNA segue sendo o mesmo. A única coisa que pode mudar é a coloração. Você pode ter uma cor diferente aqui, outra ali. O plástico que você usa na estufa pode causar mudança na cor da variedade, porque a tecnologia do plástico também mudou. Você pode tornar mais vermelha uma flor vermelha, usando a fértil irrigação.

Na Europa, usa-se a rosa para presentear. Aqui no Brasil esse hábito já chegou?

Repare: um russo, por exemplo, quando vai receber um amigo no aeroporto, leva uma flor para lhe dar de presente. Isso faz parte da cultura deles. Uma dona de casa alemã ou francesa, quando vai ao supermercado, inclui flores na lista de compras. Aliás, o supermercado é o lugar que mais se vende flores no mundo. O Walmart é o maior comprador - e, obviamente, vendedor - de flores do planeta. Disparado.

Por que essa febre pelas flores?

Porque você está embelezando sua casa. Na Europa, nos Estados Unidos, onde se consome muito, a flor faz parte da cesta básica do consumidor. No Ceará, isso tem mudado bastante. Hoje, já se vendem rosas nos supermercados de Fortaleza.

O senhor e o Ceará eram os maiores exportadores de rosas do Brasil. Por que não o são mais?

Por causa do câmbio. O real valorizou-se muito e isso prejudicou enormemente as exportações. Mantemos apenas as vendas que são importantes do ponto de vista estratégico. Depois, por causa da péssima logística de transporte. Rosa é um produto perecível. Não pode ser tratada como uma caixa de vinho. Rosa você tem de mandar de avião. Para dentro do Brasil, ainda se pode usar o caminhão refrigerado, mas correndo sérios riscos pela precariedade das rodovias. Este é o maior gargalo com que se defronta a floricultura no Ceará.

Como assim?

O Ceará já deveria ter 300 a 400 hectares de roseiras plantados. Só temos 70 por causa do gargalo da logística. O aeroporto Pinto Martins não comporta um avião tipo Jumbo, que possa sair daqui, lotado de carga e de combustível, direto para Amsterdam ou Paris. Faltam 500 metros de pista.

O aeroporto de Jericoacoara poderia resolver isso?

Não acredito. Os aviões que trarão turistas para Jericoacoara não farão voos regulares. O voo de transporte de carga tem de ser algo exclusivo. O Kênia, que tem 4 mil hectares plantados de rosa, instalou uma logística impressionante: o Jumbo entra direto na câmara fria, abre o seu bico e os contêineres são embarcados por esteiras. Todo dia, quatro Boeing 747 decolam do Kênia carregados de rosas para a Holanda. O Kênia fica na África. Por que o Ceará não pode dispor de algo eficiente assim?

Se essa logística melhorar, outros empresários investirão no que o senhor tem investido?

Os EUA importam flores da Colômbia, do Equador e do México. A floricultura nos EUA acabou porque é caro o custo de produzir lá. Rosa você produz em países pobres, porque a mão de obra que se usa por hectare é em torno de 15 a 18 pessoas. Em 10 hectares, você terá 150 a 180 funcionários. Na Holanda, por causa desse custo, não se cultivam mais flores. O holandês as produz na África. Eles poderiam vir para cá, mas teríamos de oferecer-lhe algo mais, além de uma boa logística, como a entrada de material vegetal.

Dos calçados às rosas
Solo e clima a favor


Plantar flores é cultivar a semente do amor. Plantar rosas é mais do que isso - é fazer desabrochar o amor em estado puro. Quem o diz é o empresário gaúcho Paulo Selbach, ex-campeão de venda dos calçados Azaleia e hoje o maior produtor de rosas do Estado. Quando o câmbio ajuda, ele se torna o maior exportador, também. No Ceará há 30 anos, Selbach, seu forte sotaque sulista e sua vocação para os negócios conquistaram a amizade e a confiança dos cearenses, cujo Governo lhe ofereceu - ainda no segundo mandato do governador Tasso Jereissati - os incentivos de que precisou para a implantação de sua empresa - a Cearosa - em São Benedito, na Serra da Ibiapaba, onde o solo e o clima são ideais para a floricultura de alto padrão. O roseiral da Cearosa ocupa cerca de 100 hectares, dos quais 70 produzem em estufas modernas com a mão de obra de 250 pessoas, 95% das quais arrebanhadas na região. Se o Ceará dispusesse de uma logística de transporte eficiente - boas estradas, aeroporto com pista de 3 mil metros, por exemplo - a Ibiapaba já estaria abrigando as grandes empresas internacionais da floricultura e concorrendo com os maiores produtores mundiais de rosas - Colômbia, Equador, México e Kenia. Na Europa e nos EUA, o custo da mão de obra tornou impossível a produção em escala de rosas. Então, a saída é investir em países pobres. É o que Selbach tem feito. Sua produção, que era quase toda destinada ao mercado europeu, está agora dirigida ao mercado interno brasileiro, que cresce cada vez mais. Por causa da valorização do real - que onera a produção e reduz o lucro - as vendas para a Europa estão reduzidas aos clientes estratégicos, pois o câmbio pode mudar a qualquer hora. Selbach é otimista: "O futuro da floricultura cearense é promissor, multicolorido e perfumado", diz ele.

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Pesquisa aponta logística como o maior gargalo do País




SÃO PAULO - O setor logístico é considerado pelo empresariado brasileiro como o maior gargalo de infraestrutura do Brasil. Essa é a conclusão da pesquisa Ibope realizada a pedido da Câmara Americana de Comércio (Amcham), apresentada hoje, em evento realizado na sede da entidade, em São Paulo. Segundo o levantamento, depois do setor de logística e distribuição, apontado por 54% dos entrevistados, está o de telecomunicações (30%). A área de energia, que ficou marcada pelo racionamento de 2001, foi mencionada por apenas 4% das companhias consultadas.


A pesquisa encomenda pela Amcham ao Ibope contou com 211 entrevistas entre as empresas associadas, no período de 28 de abril a 17 de maio deste ano. O levantamento apontou que os modais rodoviário e aéreo são considerados os principais problemas do setor logístico no País.

Dados apresentados pelo sócio em consultoria de projetos de infraestrutura da PricewaterhouseCoopers, Maurício Giardello, mostram que o Brasil está em um patamar inferior no aspecto logístico se comparado aos países que compõem o bloco chamado Bric (Brasil, Rússia, China e Índia). Como exemplo, o executivo citou que, em 2007, o Brasil tinha apenas 6% das estradas pavimentadas, enquanto esse porcentual era de 67% na Rússia, de 63% na Índia e de 80% na China. "As deficiências dos nossos portos e do nosso sistema rodoviário provocam perdas de US$ 5 bilhões ao agronegócio brasileiro", acrescentou o presidente da Bunge Brasil, Pedro Parente, que defendeu a expansão dos modais ferroviário e hidroviário para o transporte de produtos.

Apesar da forte expansão verificada desde as privatizações na década de 1990, a pesquisa mostrou também que a principal crítica do empresariado brasileiro sobre o serviço de telecomunicações é o seu alto custo. "Isso traz a discussão de qual é o melhor modelo para lidar com essa questão: o atual, um sucesso até então, ou o modelo de estatização em estudo", disse Giardello.

Na questão de energia, boa parte dos entrevistados não trabalha com a expectativa de um novo apagão para os próximos anos, ponto considerado até pouco tempo atrás um gargalo para a expansão da economia brasileira. De acordo com a Amcham, 42% dos entrevistados afirmaram que as ações adotadas pelo governo federal nos últimos tempos permitirão atender 51% ou mais da demanda por energia - apenas 7% avaliaram que o governo não atenderá as necessidades do mercado.

Se a oferta não é um gargalo, por outro lado a pesquisa mostrou uma preocupação em relação ao custo da energia. O levantamento mostra que 59% dos entrevistados consideram que o custo futuro da energia no Brasil será maior que a média mundial. O presidente do Grupo AES no Brasil, Britaldo Soares, comentou que o encarecimento da conta de luz está ligado, sobretudo, à alta carga tributária incidente sobre o setor elétrico e aos encargos setoriais. "A alta carga tributária é aplicada sobre os fatores de competitividade da economia brasileira", criticou Parente, na mesma linha.

Investimentos

Além de identificar as fragilidades da infraestrutura do Brasil, a pesquisa questionou os empresários sobre o panorama institucional. A conclusão foi a de que a falta de clareza nas regras, a instabilidade das agências reguladoras, a insegurança jurídica, a legislação ambiental e os aspectos financeiros são considerados os principais obstáculos para uma participação mais expressiva do setor privado nos investimentos em infraestrutura no País.

A questão ambiental foi um dos pontos mais discutidos durante a apresentação da pesquisa. Como exemplo do impacto desse fator sobre os projetos no Brasil, Giardello citou um estudo do Banco Mundial, o qual aponta que a concessão de licença de instalação (LI) leva, em média, 3,4 anos, prazo considerado excessivo. "O processo de licenciamento ambiental tem sido demorado, cercado por muitas incertezas e aspectos subjetivos", acrescentou Soares, citando que um dos problemas é a indefinição de competências entre os órgãos ambientais municipais, estaduais e federal.

Nos projetos públicos em que a iniciativa privada já está envolvida, os principais problemas citados são a baixa rentabilidade dos empreendimentos, as altas taxas de juros dos financiamentos e a baixa disponibilidade de crédito.

WELLINGTON BAHNEMANN Agencia Estado
Fonte: http://economia.estadao.com.br/noticias

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Em Breve: Escolha Nossa Logomarca

Bom dia, em breve estaremos disponibilizando três logomarcas para que possamos escolher o que melhor representa a nossa Associação.
Fique atento!!

Nota Explicativa:
Logomarca é um neologismo usado de forma empírica e genérica, para designar logotipo, símbolo ou marca, sem que haja consenso nem precisão absoluta ao que ele se refere, se apenas ao símbolo, ao logotipo ou ao sinal misto (combinação de ambos). O seu uso está popularizado no Brasil e o termo consta do dicionário Aurélio e é considerado correto pela Lingüística. No entanto, o termo é visto como inadequado por diversos designers por não possuir a necessária precisão.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Presidente Lula planeja criar uma estatal também para setor de logística

Agência Estado

SÃO PAULO - Em mais um movimento que engrossa a onda estatizante do fim de seu mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer que o governo crie um novo órgão para cuidar de projetos do setor de logística, principalmente. A informação é do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Segundo ele, não necessariamente será uma nova empresa. "Não sabemos ainda o que vai ser, mas o presidente quer um reforço nessa área de engenharia e de projetos. Ele quer que seja criada uma estrutura, um bureau, algo para cuidar dos projetos, provavelmente localizado no Planejamento [ministério]", disse.

Bernardo disse que esse organismo seria semelhante à Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão subordinado ao Ministério de Minas e Energia que faz o planejamento do setor elétrico. Ele explicou que essa nova estrutura não teria grandes ativos como uma empresa comum: "Os ativos serão seus técnicos, engenheiros e geólogos." Para ele, não haverá conflito entre esse novo organismo e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT). "O DNIT é mais executor do que elaborador de projetos", comentou.

O setor de transportes, porém, já está repleto de estruturas estatais. Para começar, há dois ministérios, dado que, além do Ministério dos Transportes, Lula criou, no início de seu segundo mandato, a Secretaria Especial de Portos, para acomodar o PSB; o escolhido para assumir a secretaria foi Pedro Brito, aliado do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE).

O setor também tem duas agências reguladoras, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Na execução de obras, além do DNIT, que cuida de estradas e hidrovias, há ainda a estatal Valec, com obras da Ferrovia Norte-sul. Além da nova empresa de projetos, o governo já anunciou que pretende ainda criar uma nova empresa para absorver a tecnologia do futuro "trem-bala" que vai unir Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. O programa do PT para a campanha da pré- candidata à Presidência Dilma Rousseff reforça o papel do Estado na economia, e o Governo Lula dá músculos à maquina pública. Planeja, por exemplo, reativar a Telebrás para ser a operadora do Plano Nacional de Banda Larga.

Fonte: http://www.dci.com.br Em 26.02.2010