terça-feira, 8 de julho de 2008

GM Estuda Cortar Empregos e Marcas


A General Motors pode se livrar de algumas marcas, acelerar a introdução de carros pequenos em outros mercados e fazer novos cortes de empregos da área administrativa enquanto tenta lidar com a queda do mercado automobilístico americano.
Uma fonte familiarizada com os debates da empresa disse ontem que todas as opções estão sendo consideradas enquanto a GM tenta administrar a dramática mudança nos hábitos de compra do consumidor, que abandona as caminhonetes em favor dos carros híbridos.
As ações da GM caíram brevemente durante a tarde de ontem, chegando a US$ 9,92 e igualando o seu valor mais baixo desde 13 de setembro de 1954. Posteriormente, as ações voltaram ao preço de US$ 10,12 idêntico ao fechamento do dia anterior. No ano passado as mesmas ações eram negociadas ao preço de até US$ 43,20.
A GM anunciou no mês passado que fecharia quatro fábricas de caminhonetes e utilitários esportivos e aumentaria a produção de diversos modelos existentes. As suas vendas caíram 16,3% em relação ao ano passado.
Futuros cortes de empregos poderiam ser considerados pelo Conselho de Administração da GM na reunião do início de agosto, relatou o Wall Street Journal.
A porta-voz da empresa, Renee Rashid-Merem, não quis comentar potenciais cortes de empregos e de marcas, mas disse que a empresa vai tomar medidas radicais se o mercado piorar. "Se as condições persistirem ou se deteriorarem, então continuaremos a tomar medidas agressivas."
O preço das ações da GM desabou até o seu valor mais baixo em 54 anos, US$ 9,96, na quarta-feira, após o analista John Murphy, do Merrill Lynch, ter escrito em relatório aos investidores que uma falência da GM "não seria impossível se o mercado continuar a se deteriorar e não for arrecadado significativo capital adicional". No dia seguinte, o analista Himanshu Patel, do JPMorgan, chamou os medos de falência de exagero, mas previu que a GM tenha de gastar US$ 18 bilhões em 2008 e 2009 enquanto enfrenta uma depressão nas vendas americanas.
A GM dispõe de US$ 24 bilhões em dinheiro e US$ 4,6 bilhões em créditos, disse, de modo que não precisa arrecadar dinheiro imediatamente. Mas ele previu que a GM tentará arrecadar US$ 10 bilhões no terceiro trimestre através da hipoteca de marcas, operações internacionais e outros bens.
Os críticos disseram que a GM ainda tem gordura para queimar no setor administrativo, apesar dos cortes feitos recentemente. No ano passado a GM chegou a 32 mil funcionários no setor, menos do que os 44 mil registrados em 2000. Eles também dizem que o custo de engenharia, fabricação e marketing é muito alto para que a GM possa manter suas oito marcas.
Analistas sugerem o corte ou a venda das marcas Buick, Saad ou Saturn. A GM já estuda a venda da Hummer. Os grandes jipes não são o produto certo no momento em que o litro de gasolina custa US$ 1,05.

Fonte: O Estado de São Paulo 8/7/2008

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Álcool: Exportação Antecipada Garante Equilíbrio


Por duas semanas seguidas e em plena safra, os preços do álcool no mercado interno subiram. Nos últimos dias, as cotações recuaram um pouco mas estão pelo menos 20% acima dos preços negociados na mesma época do ano passado. O clima desfavorável para a moagem influenciou, mas a outra parte da explicação para a mudança de cenário está nas estatísticas da exportação do produto nos dois primeiros meses desta safra. Entre maio de junho, as usinas brasileiras enxugaram o mercado embarcando 735,48 milhões de litros de etanol, 86% mais que os 394,9 milhões do mesmo bimestre de 2007.
Miguel Biegai Jr., analista da Safras & Mercado, avalia que a situação é reflexo da iniciativa de usinas e traddings de firmarem mais contratos de exportação antecipadamente, mesmo com preços mais baixos, até empatando com os custos de produção. "A maior parte desse álcool que está sendo embarcada agora foi negociada no ano passado, a partir de outubro", acrescenta Biegai. Naquele momento, o metro cúbico (m3) do hidratado para exportação foi negociado a US$ 430, valor que atualmente está US$ 530. No caso do anidro, os preços negociados estavam em torno de US$ 490, valor que hoje está por volta de US$ 590, elevação causada, principalmente, por problemas na safra de milho americana.

Mercado dos EUA

Por conta do cenário desfavorável à produção de etanol nos Estados Unidos, o Brasil elevou a meta de exportação de 3,9 bilhões de litros para 5 bilhões de litros na safra 2008/09, segundo a União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica). De acordo com estimativas da consultoria Bioagência, foram negociados até o momento em torno de 3 bilhões de litros em contratos para exportação. Os Estados Unidos devem importar - direta e indiretamente - pelo menos dois terços do volume total exportado pelo Brasil.

Do total de 735 milhões de litros embarcados em maio e junho, 311,5 milhões de litros foram exportados diretamente aos Estados Unidos. As vendas indiretas - via países da América Central - somaram mais 370,6 milhões de litros, o que significa que o mercado americano consumiu 92% do álcool brasileiro no período. "Houve nas últimas semanas uma corrida dos importadores americanos pelo produto brasileiro", conta Biegai. Os preços do etanol nos Estados Unidos vêm aumentando consideravelmente desde maio deste ano, com a piora da situação das lavouras de milho no país. Saiu do patamar de US$ 2,40 o galão (3,785 litros) para US$ 2,86 na Bolsa de Chicago (CBOT), que referencia os preços nas regiões produtoras dos Estados Unidos. "A demanda americana fica aquecida até novembro. Em dezembro, o frio fica muito rigoroso e o consumo cai", acrescenta Biegai. A União Européia (Países Baixos) comprou 186 milhões de litros de etanol do Brasil nos dois primeiros meses da safra atual.

A conseqüência desse volume elevado de exportação foi um equilíbrio maior da oferta no mercado interno, segundo o analista. "Agora, nos últimos dois meses, as usinas estão com parte da produção da safra comprometida com exportação. Se essa organização do setor em firmar contratos antecipados não tivesse ocorrido, o preço no mercado interno não estaria nos níveis que está hoje. As usinas perceberam que levar o álcool no porto para vender no mercado spot é complicado", avalia.

Os preços do álcool hidratado encerraram a última semana cotados em R$ 0,7138, recuo de 1,29% em relação à semana anterior, no entanto, 23,49% acima dos R$ 0,5780 de 06 de julho de 2007, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). O anidro também recuou nesta semana (0,74%), fechando em R$ 0,8147, mas 22% maior que em 06 de julho do ano passado. Para Miriam Bacchi, pesquisadora do Cepea, essa queda é pontual e reflete o fato de ser início de mês. "Algumas unidades produtoras precisam, nesse período, fazer caixa para pagar fornecedores de cana e outras despesas. Por isso, acabam liberando mais produto no mercado. Além disso, a demanda está retraída, pois as distribuidoras estavam relativamente estocadas. Adquiriram volume maior de produto nas últimas semanas com receio de o preço subir mais", acrescenta Miriam, que também é professora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

Fonte: Gazeta Mercantil 7/7/2008

sexta-feira, 4 de julho de 2008

FALTA DE ECLUSAS AMEAÇA HIDROVIAS


Maioria das usinas hidrelétricas do País é erguida sem essas passagens

João Domingos e Adriana Fernandes

A falta de planejamento e a pressa do governo na construção de hidrelétricas que atendam à crescente demanda por energia ameaçam a navegabilidade das principais hidrovias naturais do País. As usinas são liberadas sempre sem a exigência de que tenham também eclusas para permitir a passagem de barcos, balsas e até navios. Quando são construídas depois da hidrelétrica pronta, ficam até 500% mais caras , segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

É o que ocorre com a Hidrelétrica de Tucuruí, no Tocantins. Lá estão sendo construídas duas eclusas. A obra, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), foi orçada em R$ 700 milhões. Se ocorresse simultaneamente à obra da usina, não passaria dos R$ 116 milhões. “A idéia é que as eclusas de Tucuruí fiquem prontas até 2010”, disse Murillo Barbosa, diretor da Antaq, vice-almirante da reserva da Marinha, especialista em eclusas. Elas permitem que barcos subam ou desçam os rios em locais onde há desníveis.

Sem as eclusas, fica comprometido o desenvolvimento de importantes canais de escoamento da produção agrícola brasileira, o que poderia desafogar as estradas e baratear o frete em mais de 50%. De acordo com um estudo da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), vice-presidente da Confederação Nacional da Agricultura, o custo do transporte de uma tonelada por mil quilômetros é de US$ 42,62 no sistema rodoviário, US$ 26,81 no ferroviário e US$ 18,33 no hidroviário.

EXEMPLO

Murillo Barbosa lembra que nos Estados Unidos o custo da produção de soja e milho é muito maior do que no Brasil. Mas, por causa do sistema hidroviário da Bacia do Rio Mississipi, acaba por tornar-se mais barato. Esse complexo tem 59 eclusas e escoa 60% da produção do agronegócio americano.

O Brasil tem grandes hidrovias nas nas regiões Sul-Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste-Norte. Se o Complexo Tietê-Paraná permite a navegação por 900 quilômetros, o do Tocantins-Araguaia poderá chegar a 1,9 mil quilômetros. Mas, por enquanto, o Rio Tocantins está comprometido, porque não foram feitas eclusas nem em Lajeado, em Tocantins, nem em Estreito, na divisa com o Maranhão, o que estrangulou a hidrovia. “Se continuarem a fazer hidrovias com esses barramentos, nós vamos matar o Rio Tocantins”, disse Luiz Antonio Fayet, consultor de logística da CNA.

Segundo ele, o Rio Tocantins tem um importância vital para a região central do Brasil, o chamado eixo “Centro-Norte”. Esse eixo está localizado no principal corredor de exportação do agronegócio brasileiro. Sai de Brasília e passa por Goiás, rumo aos sistema portuário de São Luís e Belém, além de outros portos. Esse macrocorredor é completado pelas rodovias BR-153 e BR-168 e pela Ferrovia Norte-Sul.

“Precisamos ter um sistema hidroviário trabalhando conjugado com ferrovias e rodovias para reduzir custos e impacto ambiental”, disse.

Segundo ele, o impacto ambiental de uma hidrovia é aproximadamente 7% do de uma rodovia. Grupos ambientais, no entanto, costumam ter uma atuação truculenta contra as hidrovias, lembra Barbosa, diretor da Antaq. “Nos últimos 20 anos, eles conseguiram bloquear o desenvolvimento das hidrovias com as campanhas mais absurdas.”

NÓ LEGAL

Como o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, acha que as hidrovias são fundamentais, e defende o uso delas no Plano de Desenvolvimento da Amazônia (PAS), do qual é coordenador, a idéia é envolver todo o governo na defesa dessa meta. Nos próximos meses, o ministério de Mangabeira e os ministérios do Meio Ambiente, Transportes, Integração Nacional e Justiça deverão tratar de temas complexos, como a forma de administrar uma hidrovia que passe, por exemplo, dentro de uma reserva indígena ou de uma área de proteção.

Poderia ser proibida a construção de portos nas áreas. Os rios serviriam apenas de passagem dos barcos. Na tentativa de incentivar a construção das eclusas, a Antaq fechou um acordo com a Agência Nacional de Águas (Ana), na semana passada. Pelo acordo, as duas agências vão trocar dados sobre a necessidade de eclusas em hidrelétricas já existentes ou em planejamento. Será lembrado sempre que a construção de uma eclusa depois da obra hidrelétrica encarece o projeto.

No Brasil, as hidrovias da Região Norte ainda são exploradas em sua forma natural, quase sem benfeitoria alguma. O sistema Madeira/Guaporé/Amazonas pode chegar a 1,1 mil quilômetros navegáveis, mas depende da construção de ao menos quatro eclusas, duas delas nas Usinas de Jirau e Santo Antônio, projetadas sem as obras.

Fonte: http://www.estado.com.br/editorias/2008/06

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Lojas virtuais dizem que têm custos menores


FÁTIMA FERNANDES / CLAUDIA ROLLI
Lojas virtuais e sites que vendem produtos eletroeletrônicos afirmam que seus custos são menores do que os do comércio tradicional, o que permite tornar os preços mais competitivos e oferecer mercadorias até pela metade do preço. Isso não significa, segundo eles, que estejam praticando "concorrência desleal".
O Mercado Livre informa, por meio de sua assessoria de imprensa, que os preços dos produtos que anuncia podem estar menores porque podem ser seminovos ou porque o usuário que já tem um home theater, por exemplo, ganha outro de presente e, em vez de trocar por outro produto, decide vender por meio do site.
"Se o consumidor entrar no site de grandes redes varejistas, verá que, muitas vezes, os preços anunciados na internet são inferiores aos praticados na loja física. Isso porque locar uma loja no shopping custa muito mais caro que um espaço na internet", afirma, em nota, o site www.mercadolivre.com.
Além do custo do espaço físico ou da locação dele, o site informa que, no comércio virtual, os custos com a contratação de pessoal, os estoques e a logística são inferiores e, por essa razão os produtos podem ser oferecidos por preços menores.
"As grandes redes varejistas empregam milhares de pessoas que atuam em suas lojas físicas. Quantas pessoas são necessárias para atuar numa loja virtual? Na web, você não sabe se aquela empresa é grande ou pequena, mas, sim, se é séria e cumpre com o prometido."
"No Mercado Livre, existem milhares de microempresas com um funcionário: o próprio dono. É ele que, muitas vezes, cuida de tudo: compra do produto, publicação do anúncio, negociação, venda e entrega. Com o crescimento dos negócios, esses microempresários acabam trazendo para a operação seus familiares e amigos."
A Byte Shop Info informa que sua forma de trabalho é diferente. "Não possuímos folha de pagamento gigantesca nem despesas. Com isso, podemos ter uma margem de preço melhor. Sem falar também que os impostos para as microempresas são menores."
No Brasil, diz a Byte Shop Info, "existe muito produto com importação ilegal, encontrado facilmente na rua Santa Ifigênia [região central da capital paulista], sem impostos".
A Ciavirtualmix preferiu não comentar o caso. Videosonic e Etronics não retornaram telefonemas nem responderam aos e-mails da reportagem. A Receita em São Paulo não quis comentar o assunto.
Um grupo de lojistas que vende produtos de áudio e vídeo, software e equipamentos para automação residencial acusa lojas virtuais de venderem os mesmos produtos a preços abaixo do custo.
Para enfrentar o que consideram "concorrência desleal", lojistas dos Estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul decidiram montar uma associação com o objetivo de ter mais poder para pedir fiscalização intensa da Receita Federal e das Fazendas estaduais nas lojas que só vendem pela internet.
Levantamento feito por lojistas na semana passada mostra que preços de produtos vendidos em suas lojas e em lojas virtuais têm diferença da ordem de 50%, ou seja, metade do preço. Citam exemplos. Receiver da marca Marantz modelo SR 8002, vendido por eles por R$ 9.900, custa R$ 5.500 em loja virtual. Projetor Sony modelo VPL-EX4, comercializado por eles por R$ 3.799, sai por R$ 2.395 em lojas on-line.
"Estamos sofrendo concorrência desleal com lojas virtuais que vendem produtos a preços que são custos para nós. E essas lojas virtuais não são distribuidoras oficiais no país", afirma Claudia Ribeiro Siscar, diretora da Cinema 1, revenda localizada em Bauru (SP) e especializada em equipamentos eletrônicos de áudio e vídeo para casa. A Cinema 1 é uma das lojas que deverá fazer parte da associação que pretende reunir no mínimo 12 lojas no país.
"As lojas virtuais com preços abaixo do custo estão se proliferando no país e tirando mercado da gente. Compro por R$ 7.600 um receiver Onkyo e vendo por R$ 11.600, incluindo margem [de lucro] e impostos. Em loja virtual, o produto custa R$ 6.300. Assim não dá para competir", diz Fernando Ely, gerente administrativo da Áudio e Vídeo Ltda., revendedora de equipamentos de áudio e vídeo para casa.
As lojas virtuais mais agressivas em preços, segundo eles, são Ciavirtualmix, Videosonic, Byte Shop Info e Etronics. Eles criticam também o Mercado Livre. "Os preços que saem no Mercado Livre viram parâmetro do mercado brasileiro", diz a diretora da Cinema 1.
A Folha procurou as lojas virtuais e o que elas informam é que os custos de um comércio virtual são muito menores do que os de lojas físicas, o que faz com que possam oferecer preços mais baixos para os consumidores. Elas dizem ainda que o que existe no país é concorrência de mercado, e não disputa desleal.

Não há fiscalização
Ely diz que procurou a Receita Federal no Rio Grande do Sul e em São Paulo para pedir fiscalização em lojas virtuais. "Não tive sucesso. O que me disseram é que falta pessoal para fazer a fiscalização. É preciso ver se esse pessoal está importando de forma legal ou não."
A Áudio e Vídeo e a Cinema 1, segundo Ely e Siscar, poderiam faturar de 30% a 50% mais se não fosse a concorrência com as lojas virtuais. "O pior é que os consumidores que compram nessas lojas acabam depois procurando a gente para dar assistência técnica. Nós não aceitamos", afirma Ely.
Eduardo Troiano, diretor comercial da Troiano's, loja em São Paulo especializada em equipar casas com produtos de áudio e vídeo, diz que a proliferação de lojas virtuais que vendem por preços abaixo do custo só será combatida com ação de fiscalização da Receita Federal na internet.
"O consumidor tem de abrir o olho quando opta por comprar em sites. Ele tem de saber a origem do produto, se há garantia no Brasil e quem está trazendo a mercadoria do exterior, pois o barato pode sair muito mais caro", diz Troiano.
Distribuidora de várias marcas de equipamentos de áudio e vídeo no país, a Syncrotape informa que sofre concorrência desleal principalmente com marcas que entram no país pelo Paraguai. "Somos revendedores exclusivos da Denon no Brasil, só que a marca também está disponível no Paraguai. Resultado: lojas virtuais vendem no Brasil por preços 30% a 40% mais baratos os mesmos produtos que ofereço. Isso não é possível, pois a matemática não fecha", afirma Nelson Zen, gerente administrativo da Syncrotape. "Se não houvesse essa concorrência desleal, estaríamos vendendo 50% mais."

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica

quarta-feira, 2 de julho de 2008

IMPORTAÇÃO É RECORDE E SALDO CAI 44%


As importações brasileiras registraram no primeiro semestre de 2008 a maior taxa de crescimento desde 1995, quando o real tinha paridade com o dólar. As compras internacionais cresceram 50,6% na comparação com o primeiro semestre de 2007, totalizando US$ 79,27 bilhões, com média diária de US$ 644,5 milhões. As exportações tiveram o melhor primeiro semestre desde 2004.

Vendas externas
As vendas externas somaram US$ 90,64 bilhões e registraram média diária de US$ 737 milhões, o que significa uma elevação de 23,8% em relação ao primeiro semestre do ano passado.
Apesar do ritmo forte das importações, a velocidade de queda do superávit comercial em relação ao saldo de 2007 diminuiu. O superávit acumulado no primeiro semestre foi de US$ 11,37 bilhões e a média diária, de US$ 92,4 milhões, queda de 44,3% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado de janeiro a maio, o saldo estava menor em 47,4%.

Ministério do Desenvolvimento
O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, disse que esse movimento se deve à recuperação das exportações. Ele destacou que o crescimento das vendas externas em 12 meses, até junho, foi de 18,7%, acima da taxa esperada para o comércio mundial em 2008, de 15,3%. Também informou que o ministério anunciará, nos próximos dias, uma nova meta de exportações para 2008, acima dos US$ 180 bilhões já projetados. No acumulado em 12 meses, as vendas externas já somaram US$ 178 bilhões. "Existe uma tendência de diminuição de saldo, mas nós temos ainda um superávit muito importante e ele aumentou no último mês", afirmou. O saldo comercial em junho foi de US$ 2,72 bilhões, resultado de exportações de US$ 18,6 bilhões e importações de US$ 15,87 bilhões. As compras internacionais no mês registraram recorde. O volume exportado é o segundo melhor resultado, atrás apenas de maio, quando somou US$ 19,3 bilhões. O secretário alerta, no entanto, que a balança comercial de maio está contaminada pelo efeito da greve dos auditores da Receita, que levou a um acúmulo de registros de exportações naquele mês.

Aumento das importações
Para Barral, o aumento das importações não está ocorrendo em detrimento da indústria brasileira. Segundo ele, embora o nível de utilização da capacidade esteja elevado, "a indústria está trabalhando a pleno vapor". As importações de bens de consumo perderam espaço na pauta, caindo de 13,3% do total no primeiro semestre de 2007 para 12,5% em 2008.

Fonte: O Estado de São Paulo 2/7/2008