terça-feira, 6 de maio de 2008

Greve: Prejuízos de R$ 6 bilhões


O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, endureceu o tom contra a greve dos auditores fiscais da Receita Federal e encerrou as negociações. Para o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), a greve continua por tempo indeterminado. Na avaliação do secretário-geral da Unafisco, Rogério Calil, o prejuízo com a greve deve ser semelhante ou superar o de 2006, que acarretou perdas diárias de R$ 120 milhões. Por esse cálculo, o movimento atual, que dura 50 dias, já causou perdas de R$ 6 bilhões.
A paralisação tem dificultado o recebimento de insumos e começa a afetar as exportações de empresas de autopeças. A Delphi, fabricante de baterias, montou um comitê para monitorar 24 horas por dia os portos e aeroportos para atenuar os problemas. A Associação Brasileira de Transportes Internacionais estima em 1,8 mil o número de caminhões parados nas fronteiras dos países do Mercosul.

Governo não corta ponto de auditor em greve

O Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais) confirmou ontem que o governo não efetuou o corte de ponto dos servidores em greve há quase 50 dias, como prometido pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, na semana passada.
Embora a Justiça tenha autorizado o desconto dos dias não trabalhados a partir de 8 de abril, o salário do mês foi pago integralmente na última sexta, segundo o sindicato.
O Ministério do Planejamento afirmou ontem, por meio de sua assessoria de imprensa, que a orientação do governo era a de cortar o ponto, mas a decisão final é da Receita Federal. Procurado pela reportagem, o órgão não respondeu.
Na semana passada, Bernardo afirmou que o governo faria o desconto dos dias parados, mas de forma parcelada.
Bernardo Lauar, auditor fiscal em Poços de Caldas (MG), está em greve desde o dia 18 de março, quando começou a paralisação dos servidores. Ainda assim, ele disse que recebeu o salário integral na sexta-feira.
Ontem, o ministro do Planejamento afirmou que o governo não pretende ceder ainda mais nas negociações com os grevistas. "Não temos a menor possibilidade de melhorar, do ponto de vista deles [os auditores], o que oferecemos. Não vejo mais o que negociar com eles", afirmou Bernardo.
Apesar do pagamento dos dias não trabalhados, o movimento grevista mostra sinais de enfraquecimento. Na assembléia realizada na última quarta-feira, 55% dos auditores votaram pela manutenção da greve, contra 75% na assembléia anterior.
No aeroporto de Cumbica e no porto de Santos, a maioria dos auditores votou pela suspensão da greve por 21 dias, mas os servidores seguiram a orientação nacional do sindicato e decidiram manter a operação-padrão, com todos os auditores na repartição, mas realizando o trabalho o mais lento possível.
Nesta semana, provavelmente na quinta-feira, segundo o secretário-geral do Unafisco, Rogério Calil, a categoria irá se reunir em assembléia para decidir sobre o fim da greve.
"Tudo depende da sinalização do governo", diz Calil. De acordo com ele, porém, não há ainda nenhuma reunião marcada com as autoridades.
Um dos principais pontos de discordância entre os auditores e o governo está no calendário de implementação do reajuste salarial. O governo propôs que, até julho de 2010, o piso dos auditores, hoje em R$ 10 mil, passe para R$ 14 mil. Já o teto salarial, hoje em R$ 13 mil, passaria a ser de R$ 19 mil. O acordo não fecha porque os auditores querem o aumento para 2009.
O setor de importação prevê que possa haver falta de alguns produtos para o Dia das Mães. O presidente da Abipp (Associação Brasileira de Importadores de Produtos Populares), Gustavo Dedivitis, diz que itens de decoração ou utensílios domésticos de preços mais baixos devem faltar nas lojas. "Para nós, o Dia das Mães acabou." Com liminares, liberação de carga é agilizada.

Fonte: Gazeta Mercantil 6/5/2008

Nenhum comentário: