quarta-feira, 14 de maio de 2008

LOGÍSTICA NAVAL AQUECE E AMPLIA FROTA NO PAÍS


A logística naval está aquecida no Brasil, mesmo com a carência de investimentos nos portos. Prova disso é que os operadores - como o Grupo Wilson, Sons, que batiza amanhã uma embarcação de US$ 25 milhões, a primeira entre quatro que devem atender a Petrobras, e a Log-In Logística Intermodal, que planeja a construção de dois navios de US$ 165 milhões, para atuar no transporte do minério de bauxita da Alunorte - aceleram seu planos de expansão ao atenderem clientes de peso. Além disso, com as boas perspectivas do mercado, companhias de navegação com o porte do Grupo Hambürg Sud, que inclui a Aliança Navegação, detêm um plano de aplicar 1,7 bilhão de euros em novos navios, parte deles para cumprir rotas que incluem o Brasil, enquanto a CMA CGM fará o mesmo com alguns dos 85 navios encomendados para movimentar contêineres pelo mundo.
No caso da Wilson, Sons, a nova embarcação será batizada pela Saveiros Camuyrano, uma das empresas do grupo que será responsável pela operação dos outros três navios de suprimento e apoio a plataformas de petróleo, (platform supply vessel, ou PSV). "A construção dos PSVs faz parte da estratégia de aumentar nossa participação no mercado offshore", contou Arnaldo Calbucci, diretor de rebocadores, offshore e estaleiro do grupo.
As embarcações estão em construção no estaleiro da companhia, que fechou um outro contrato de US$ 100 milhões, para construir quatro outros PSVs para a argentina Magallanes de Navegação. Dona da maior frota de rebocadores da América do Sul, a Saveiros integra o grupo que é um dos maiores operadores integrados de logística portuária e marítima, e que ainda mantém terminais. No ano passado, o Wilson, Sons cresceu mais de 20%, apresentando receita líquida de US$ 404 milhões.

Diversificação
A Log-In desenvolveu projeto para dois navios graneleiros de 80 mil toneladas com o objetivo de entrar no mercado de transporte de minério de bauxita a granel. Para isso, fechou um contrato de US$ 1 bilhão junto à Alunorte, para os próximos 20 anos, a partir de 2010. "É o primeiro contrato da Log-In para transporte de minério e pode ser estendido por mais cinco anos, além dos 20 contratuais", comentou Mauro Oliveira Dias, presidente da Log-In.
Os dois navios ficarão prontos apenas em 2011, por isso a Log-In vai fretar até três embarcações do tipo Panamax, que comportam em torno de 70 mil toneladas.
A disputa pela construção dos graneleiros, com estaleiro não definido, deve esquentar a indústria naval, já que esse foi o maior negócio fechado na história da cabotagem brasileira, com a possibilidade de movimentar seis milhões de toneladas de minério por ano entre os portos de Trombetas e Vila do Conde, no Pará.
Dias também disse que o primeiro trimestre de 2008 foi positivo, com a ampliação 9,5% no volume de TEUs (twenty-foot equivalent unit, medida de capacidade equivalente à de um contêiner de 20 pés) movimentadas, com a entrada do navio Log-In Amazônia e o atendimento dos novos mercados de Montevidéu e Santos, com destino ao nordeste. E a construção de mais cinco navios, com aporte de R$ 700 milhões, 90% financiados pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM), avança dentro do cronograma.

Navegação
Mesmo com dificuldade de atracar seus navios maiores no Brasil, grandes companhias estrangeiras continuam a apostar suas fichas no País. No caso do grupo alemão Hamburg Süd, controlador da Aliança Navegação e Logística, a intenção é colocar 16 novos navios porta-contêineres em operação, até 2010, para atender às rotas entre o Brasil, a Europa e a Ásia. A Aliança encerrou 2007 com um aumento de 11% na movimentação, totalizando 502 mil TEUs, e ganhos de R$ 2,2 bilhões.
A francesa CMA CGM encomendou uma série de quatro porta-contêineres, que serão integrados à frota em operação no Brasil, o primeiro desses, entrou em operação em abril. No mundo, a empresa encomendou, de vários estaleiros, 85 navios que serão acrescidos à frota até o ano de 2011.
A CMA CGM, que se diz a terceira maior transportadora marítima do mundo, especializada em contêineres, cresceu mais de 40%, no Brasil, ano passado, aumentando seu market share de 6,7% para 8%, com receita de US$ 500 milhões. O objetivo em 2008 é alcançar a casa dos 10%.
No primeiro trimestre, foram lançados dois novos serviços, uma linha direta entre Brasil e África, com conexão em vários países e uma freqüência semanal entre Oriente Médio e Índia.

Mais encomendas da Petrobras vão enriquecer indústria naval
A Petrobras vai encomendar a construção de 146 navios de apoio à produção de petróleo em mar. O presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, anunciou que o programa começa no próximo dia 26, com o lançamento de um edital para a compra de 24 embarcações deste tipo. Um programa parecido para a compra de sondas também está nos planos da empresa, bem como a construção de mais uma refinaria.
Tantos projetos novos refletem as crescentes descobertas com grandes reservas de petróleo e gás, sobretudo na região da camada pré-sal. As descobertas requerem mudanças no gordo plano de investimentos da petroleira, de US$ 50 bilhões, como frisou Gabrielli. O plano de investimentos será modificado e concluído em meados do ano.
"Esses investimentos significam compras para o País, que podem gerar investimentos em vários setores como mecânico, naval, siderúrgico, de engenharia, serviços, que exigem o esforço de tecnologias avançadas. Exige equipamentos e uma indústria naval poderosa", disse, lembrando do recente programa de "superpetroleiros" encomendados pela Transpetro, braço da estatal para a área de transporte. A indústria petroleira vai precisar também de rebocadores.
O programa de encomenda de embarcações de apoio será executado em seis anos. Cada embarcação deverá gerar 500 postos de trabalho, segundo a Petrobras. Cerca de 3,8 mil pessoas serão contratadas para ocupar cargos de tripulantes quando as embarcações estiverem prontas, em 2014, segundo a previsão inicial. Empresas estrangeiras serão chamadas a participar da licitação, mas o conteúdo nacional de toda a nova frota deverá alcançar, por contrato, entre 70% e 80% do investimento, dependendo do tipo de embarcação.
"Esperamos encontrar uma boa resposta da indústria nacional. Até agora, nossa demanda vem sendo atendida de forma satisfatória. E esse é mais um desafio que se impõe daqui para frente", disse Gabrielli.
O aço brasileiro também é preferido, apesar das dificuldades que a Transpetro de negociar a compra do insumo de siderúrgicas locais. Parte dos produtos siderúrgicos será importa-da de empresas asiáticas para a parte do programa de construção dos 26 navios.
Das 146 embarcações programadas, 54 serão empregadas no manuseio de âncoras de grande porte, dez nas atividades de reboque e 64 em atividades de suprimento. E 18 embarcações voltadas para operações de recolhimento de óleo exigidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para cobertura das áreas de exploração e produção de petróleo e gás natural.
Os próximos editais após esse primeiro, com demanda de 24 navios, serão feitos até 2014, com prazos contratuais de oito anos. "Todas as embarcações, uma vez construídas, serão afretadas à Petrobras pelas empresas licitantes".

Empregos
Além de contribuir para o desenvolvimento da indústria naval e estimular a instalação de novos estaleiros no País, o Plano de Renovação da Frota de Embarcações da Petrobras proporcionará significativo aumento da oferta de empregos, tanto durante a construção das unidades quanto depois que os barcos entrarem em operação, pois de acordo com os contratos de afretamento a serem firmados apenas brasileiros poderão tripular as embarcações.

Lucro líquido da Petrobras sobe 68%, para R$ 6,92 bi
O lucro líquido da Petrobras saltou 68% no primeiro trimestre deste ano na comparação com igual período do ano passado, alcançando R$ 6,92 bilhões, em meio à redução de despesas operacionais e ao aumento da produção de petróleo e gás natural.
A estatal anunciou que os ganhos antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficaram em R$ 13,8 bilhões, contra R$ 11 bilhões no primeiro trimestre de 2007.
Analistas consultados pela agência "Reuters" esperavam, em média, um lucro líquido de R$ 5,6 bilhões e um Ebitda -uma importante medida do fluxo de caixa - de R$ 12,6 bilhões. "O lucro operacional cresceu porque cresceu a produção e cresceram os preços. E trabalhamos na redução dos custos operacionais", afirmou a jornalistas o diretor financeiro da companhia, Almir Barbassa.
O fato de a empresa ter encerrado no ano passado os gastos extraordinários com contribuições ao fundo de pensão dos funcionários beneficiou fortemente os resultados financeiros, situação que já era, de certa forma, esperada pelo mercado.
A empresa também citou a menor apreciação do real no primeiro trimestre deste ano como um fator que colaborou para o melhor resultado financeiro.
"O lucro líquido cresceu mais porque teve um impacto menor da valorização do real. No primeiro trimestre de 2007 o real se valorizou em 4% e nesse trimestre apenas 1%", acrescentou Barbassa.
De acordo com o relatório trimestral divulgado pela estatal, a produção média de óleo e gás cresceu 2% em relação ao primeiro trimestre de 2007, "devido à entrada em operação dos FPSO (plataforma flutuante) Cidade do Rio de Janeiro, Piranema e Cidade de Vitória e das plataformas P-52 e P-54."
"Vale destacar o crescimento da produção de gás natural doméstico no trimestre: 11% em relação ao 1º trimestre de 2007 e 10% em comparação ao trimestre anterior", informou o comunicado.

Fonte: DCI 13/5/2008

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