terça-feira, 8 de julho de 2008

GM Estuda Cortar Empregos e Marcas


A General Motors pode se livrar de algumas marcas, acelerar a introdução de carros pequenos em outros mercados e fazer novos cortes de empregos da área administrativa enquanto tenta lidar com a queda do mercado automobilístico americano.
Uma fonte familiarizada com os debates da empresa disse ontem que todas as opções estão sendo consideradas enquanto a GM tenta administrar a dramática mudança nos hábitos de compra do consumidor, que abandona as caminhonetes em favor dos carros híbridos.
As ações da GM caíram brevemente durante a tarde de ontem, chegando a US$ 9,92 e igualando o seu valor mais baixo desde 13 de setembro de 1954. Posteriormente, as ações voltaram ao preço de US$ 10,12 idêntico ao fechamento do dia anterior. No ano passado as mesmas ações eram negociadas ao preço de até US$ 43,20.
A GM anunciou no mês passado que fecharia quatro fábricas de caminhonetes e utilitários esportivos e aumentaria a produção de diversos modelos existentes. As suas vendas caíram 16,3% em relação ao ano passado.
Futuros cortes de empregos poderiam ser considerados pelo Conselho de Administração da GM na reunião do início de agosto, relatou o Wall Street Journal.
A porta-voz da empresa, Renee Rashid-Merem, não quis comentar potenciais cortes de empregos e de marcas, mas disse que a empresa vai tomar medidas radicais se o mercado piorar. "Se as condições persistirem ou se deteriorarem, então continuaremos a tomar medidas agressivas."
O preço das ações da GM desabou até o seu valor mais baixo em 54 anos, US$ 9,96, na quarta-feira, após o analista John Murphy, do Merrill Lynch, ter escrito em relatório aos investidores que uma falência da GM "não seria impossível se o mercado continuar a se deteriorar e não for arrecadado significativo capital adicional". No dia seguinte, o analista Himanshu Patel, do JPMorgan, chamou os medos de falência de exagero, mas previu que a GM tenha de gastar US$ 18 bilhões em 2008 e 2009 enquanto enfrenta uma depressão nas vendas americanas.
A GM dispõe de US$ 24 bilhões em dinheiro e US$ 4,6 bilhões em créditos, disse, de modo que não precisa arrecadar dinheiro imediatamente. Mas ele previu que a GM tentará arrecadar US$ 10 bilhões no terceiro trimestre através da hipoteca de marcas, operações internacionais e outros bens.
Os críticos disseram que a GM ainda tem gordura para queimar no setor administrativo, apesar dos cortes feitos recentemente. No ano passado a GM chegou a 32 mil funcionários no setor, menos do que os 44 mil registrados em 2000. Eles também dizem que o custo de engenharia, fabricação e marketing é muito alto para que a GM possa manter suas oito marcas.
Analistas sugerem o corte ou a venda das marcas Buick, Saad ou Saturn. A GM já estuda a venda da Hummer. Os grandes jipes não são o produto certo no momento em que o litro de gasolina custa US$ 1,05.

Fonte: O Estado de São Paulo 8/7/2008

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Álcool: Exportação Antecipada Garante Equilíbrio


Por duas semanas seguidas e em plena safra, os preços do álcool no mercado interno subiram. Nos últimos dias, as cotações recuaram um pouco mas estão pelo menos 20% acima dos preços negociados na mesma época do ano passado. O clima desfavorável para a moagem influenciou, mas a outra parte da explicação para a mudança de cenário está nas estatísticas da exportação do produto nos dois primeiros meses desta safra. Entre maio de junho, as usinas brasileiras enxugaram o mercado embarcando 735,48 milhões de litros de etanol, 86% mais que os 394,9 milhões do mesmo bimestre de 2007.
Miguel Biegai Jr., analista da Safras & Mercado, avalia que a situação é reflexo da iniciativa de usinas e traddings de firmarem mais contratos de exportação antecipadamente, mesmo com preços mais baixos, até empatando com os custos de produção. "A maior parte desse álcool que está sendo embarcada agora foi negociada no ano passado, a partir de outubro", acrescenta Biegai. Naquele momento, o metro cúbico (m3) do hidratado para exportação foi negociado a US$ 430, valor que atualmente está US$ 530. No caso do anidro, os preços negociados estavam em torno de US$ 490, valor que hoje está por volta de US$ 590, elevação causada, principalmente, por problemas na safra de milho americana.

Mercado dos EUA

Por conta do cenário desfavorável à produção de etanol nos Estados Unidos, o Brasil elevou a meta de exportação de 3,9 bilhões de litros para 5 bilhões de litros na safra 2008/09, segundo a União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica). De acordo com estimativas da consultoria Bioagência, foram negociados até o momento em torno de 3 bilhões de litros em contratos para exportação. Os Estados Unidos devem importar - direta e indiretamente - pelo menos dois terços do volume total exportado pelo Brasil.

Do total de 735 milhões de litros embarcados em maio e junho, 311,5 milhões de litros foram exportados diretamente aos Estados Unidos. As vendas indiretas - via países da América Central - somaram mais 370,6 milhões de litros, o que significa que o mercado americano consumiu 92% do álcool brasileiro no período. "Houve nas últimas semanas uma corrida dos importadores americanos pelo produto brasileiro", conta Biegai. Os preços do etanol nos Estados Unidos vêm aumentando consideravelmente desde maio deste ano, com a piora da situação das lavouras de milho no país. Saiu do patamar de US$ 2,40 o galão (3,785 litros) para US$ 2,86 na Bolsa de Chicago (CBOT), que referencia os preços nas regiões produtoras dos Estados Unidos. "A demanda americana fica aquecida até novembro. Em dezembro, o frio fica muito rigoroso e o consumo cai", acrescenta Biegai. A União Européia (Países Baixos) comprou 186 milhões de litros de etanol do Brasil nos dois primeiros meses da safra atual.

A conseqüência desse volume elevado de exportação foi um equilíbrio maior da oferta no mercado interno, segundo o analista. "Agora, nos últimos dois meses, as usinas estão com parte da produção da safra comprometida com exportação. Se essa organização do setor em firmar contratos antecipados não tivesse ocorrido, o preço no mercado interno não estaria nos níveis que está hoje. As usinas perceberam que levar o álcool no porto para vender no mercado spot é complicado", avalia.

Os preços do álcool hidratado encerraram a última semana cotados em R$ 0,7138, recuo de 1,29% em relação à semana anterior, no entanto, 23,49% acima dos R$ 0,5780 de 06 de julho de 2007, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). O anidro também recuou nesta semana (0,74%), fechando em R$ 0,8147, mas 22% maior que em 06 de julho do ano passado. Para Miriam Bacchi, pesquisadora do Cepea, essa queda é pontual e reflete o fato de ser início de mês. "Algumas unidades produtoras precisam, nesse período, fazer caixa para pagar fornecedores de cana e outras despesas. Por isso, acabam liberando mais produto no mercado. Além disso, a demanda está retraída, pois as distribuidoras estavam relativamente estocadas. Adquiriram volume maior de produto nas últimas semanas com receio de o preço subir mais", acrescenta Miriam, que também é professora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

Fonte: Gazeta Mercantil 7/7/2008

sexta-feira, 4 de julho de 2008

FALTA DE ECLUSAS AMEAÇA HIDROVIAS


Maioria das usinas hidrelétricas do País é erguida sem essas passagens

João Domingos e Adriana Fernandes

A falta de planejamento e a pressa do governo na construção de hidrelétricas que atendam à crescente demanda por energia ameaçam a navegabilidade das principais hidrovias naturais do País. As usinas são liberadas sempre sem a exigência de que tenham também eclusas para permitir a passagem de barcos, balsas e até navios. Quando são construídas depois da hidrelétrica pronta, ficam até 500% mais caras , segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

É o que ocorre com a Hidrelétrica de Tucuruí, no Tocantins. Lá estão sendo construídas duas eclusas. A obra, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), foi orçada em R$ 700 milhões. Se ocorresse simultaneamente à obra da usina, não passaria dos R$ 116 milhões. “A idéia é que as eclusas de Tucuruí fiquem prontas até 2010”, disse Murillo Barbosa, diretor da Antaq, vice-almirante da reserva da Marinha, especialista em eclusas. Elas permitem que barcos subam ou desçam os rios em locais onde há desníveis.

Sem as eclusas, fica comprometido o desenvolvimento de importantes canais de escoamento da produção agrícola brasileira, o que poderia desafogar as estradas e baratear o frete em mais de 50%. De acordo com um estudo da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), vice-presidente da Confederação Nacional da Agricultura, o custo do transporte de uma tonelada por mil quilômetros é de US$ 42,62 no sistema rodoviário, US$ 26,81 no ferroviário e US$ 18,33 no hidroviário.

EXEMPLO

Murillo Barbosa lembra que nos Estados Unidos o custo da produção de soja e milho é muito maior do que no Brasil. Mas, por causa do sistema hidroviário da Bacia do Rio Mississipi, acaba por tornar-se mais barato. Esse complexo tem 59 eclusas e escoa 60% da produção do agronegócio americano.

O Brasil tem grandes hidrovias nas nas regiões Sul-Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste-Norte. Se o Complexo Tietê-Paraná permite a navegação por 900 quilômetros, o do Tocantins-Araguaia poderá chegar a 1,9 mil quilômetros. Mas, por enquanto, o Rio Tocantins está comprometido, porque não foram feitas eclusas nem em Lajeado, em Tocantins, nem em Estreito, na divisa com o Maranhão, o que estrangulou a hidrovia. “Se continuarem a fazer hidrovias com esses barramentos, nós vamos matar o Rio Tocantins”, disse Luiz Antonio Fayet, consultor de logística da CNA.

Segundo ele, o Rio Tocantins tem um importância vital para a região central do Brasil, o chamado eixo “Centro-Norte”. Esse eixo está localizado no principal corredor de exportação do agronegócio brasileiro. Sai de Brasília e passa por Goiás, rumo aos sistema portuário de São Luís e Belém, além de outros portos. Esse macrocorredor é completado pelas rodovias BR-153 e BR-168 e pela Ferrovia Norte-Sul.

“Precisamos ter um sistema hidroviário trabalhando conjugado com ferrovias e rodovias para reduzir custos e impacto ambiental”, disse.

Segundo ele, o impacto ambiental de uma hidrovia é aproximadamente 7% do de uma rodovia. Grupos ambientais, no entanto, costumam ter uma atuação truculenta contra as hidrovias, lembra Barbosa, diretor da Antaq. “Nos últimos 20 anos, eles conseguiram bloquear o desenvolvimento das hidrovias com as campanhas mais absurdas.”

NÓ LEGAL

Como o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, acha que as hidrovias são fundamentais, e defende o uso delas no Plano de Desenvolvimento da Amazônia (PAS), do qual é coordenador, a idéia é envolver todo o governo na defesa dessa meta. Nos próximos meses, o ministério de Mangabeira e os ministérios do Meio Ambiente, Transportes, Integração Nacional e Justiça deverão tratar de temas complexos, como a forma de administrar uma hidrovia que passe, por exemplo, dentro de uma reserva indígena ou de uma área de proteção.

Poderia ser proibida a construção de portos nas áreas. Os rios serviriam apenas de passagem dos barcos. Na tentativa de incentivar a construção das eclusas, a Antaq fechou um acordo com a Agência Nacional de Águas (Ana), na semana passada. Pelo acordo, as duas agências vão trocar dados sobre a necessidade de eclusas em hidrelétricas já existentes ou em planejamento. Será lembrado sempre que a construção de uma eclusa depois da obra hidrelétrica encarece o projeto.

No Brasil, as hidrovias da Região Norte ainda são exploradas em sua forma natural, quase sem benfeitoria alguma. O sistema Madeira/Guaporé/Amazonas pode chegar a 1,1 mil quilômetros navegáveis, mas depende da construção de ao menos quatro eclusas, duas delas nas Usinas de Jirau e Santo Antônio, projetadas sem as obras.

Fonte: http://www.estado.com.br/editorias/2008/06

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Lojas virtuais dizem que têm custos menores


FÁTIMA FERNANDES / CLAUDIA ROLLI
Lojas virtuais e sites que vendem produtos eletroeletrônicos afirmam que seus custos são menores do que os do comércio tradicional, o que permite tornar os preços mais competitivos e oferecer mercadorias até pela metade do preço. Isso não significa, segundo eles, que estejam praticando "concorrência desleal".
O Mercado Livre informa, por meio de sua assessoria de imprensa, que os preços dos produtos que anuncia podem estar menores porque podem ser seminovos ou porque o usuário que já tem um home theater, por exemplo, ganha outro de presente e, em vez de trocar por outro produto, decide vender por meio do site.
"Se o consumidor entrar no site de grandes redes varejistas, verá que, muitas vezes, os preços anunciados na internet são inferiores aos praticados na loja física. Isso porque locar uma loja no shopping custa muito mais caro que um espaço na internet", afirma, em nota, o site www.mercadolivre.com.
Além do custo do espaço físico ou da locação dele, o site informa que, no comércio virtual, os custos com a contratação de pessoal, os estoques e a logística são inferiores e, por essa razão os produtos podem ser oferecidos por preços menores.
"As grandes redes varejistas empregam milhares de pessoas que atuam em suas lojas físicas. Quantas pessoas são necessárias para atuar numa loja virtual? Na web, você não sabe se aquela empresa é grande ou pequena, mas, sim, se é séria e cumpre com o prometido."
"No Mercado Livre, existem milhares de microempresas com um funcionário: o próprio dono. É ele que, muitas vezes, cuida de tudo: compra do produto, publicação do anúncio, negociação, venda e entrega. Com o crescimento dos negócios, esses microempresários acabam trazendo para a operação seus familiares e amigos."
A Byte Shop Info informa que sua forma de trabalho é diferente. "Não possuímos folha de pagamento gigantesca nem despesas. Com isso, podemos ter uma margem de preço melhor. Sem falar também que os impostos para as microempresas são menores."
No Brasil, diz a Byte Shop Info, "existe muito produto com importação ilegal, encontrado facilmente na rua Santa Ifigênia [região central da capital paulista], sem impostos".
A Ciavirtualmix preferiu não comentar o caso. Videosonic e Etronics não retornaram telefonemas nem responderam aos e-mails da reportagem. A Receita em São Paulo não quis comentar o assunto.
Um grupo de lojistas que vende produtos de áudio e vídeo, software e equipamentos para automação residencial acusa lojas virtuais de venderem os mesmos produtos a preços abaixo do custo.
Para enfrentar o que consideram "concorrência desleal", lojistas dos Estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul decidiram montar uma associação com o objetivo de ter mais poder para pedir fiscalização intensa da Receita Federal e das Fazendas estaduais nas lojas que só vendem pela internet.
Levantamento feito por lojistas na semana passada mostra que preços de produtos vendidos em suas lojas e em lojas virtuais têm diferença da ordem de 50%, ou seja, metade do preço. Citam exemplos. Receiver da marca Marantz modelo SR 8002, vendido por eles por R$ 9.900, custa R$ 5.500 em loja virtual. Projetor Sony modelo VPL-EX4, comercializado por eles por R$ 3.799, sai por R$ 2.395 em lojas on-line.
"Estamos sofrendo concorrência desleal com lojas virtuais que vendem produtos a preços que são custos para nós. E essas lojas virtuais não são distribuidoras oficiais no país", afirma Claudia Ribeiro Siscar, diretora da Cinema 1, revenda localizada em Bauru (SP) e especializada em equipamentos eletrônicos de áudio e vídeo para casa. A Cinema 1 é uma das lojas que deverá fazer parte da associação que pretende reunir no mínimo 12 lojas no país.
"As lojas virtuais com preços abaixo do custo estão se proliferando no país e tirando mercado da gente. Compro por R$ 7.600 um receiver Onkyo e vendo por R$ 11.600, incluindo margem [de lucro] e impostos. Em loja virtual, o produto custa R$ 6.300. Assim não dá para competir", diz Fernando Ely, gerente administrativo da Áudio e Vídeo Ltda., revendedora de equipamentos de áudio e vídeo para casa.
As lojas virtuais mais agressivas em preços, segundo eles, são Ciavirtualmix, Videosonic, Byte Shop Info e Etronics. Eles criticam também o Mercado Livre. "Os preços que saem no Mercado Livre viram parâmetro do mercado brasileiro", diz a diretora da Cinema 1.
A Folha procurou as lojas virtuais e o que elas informam é que os custos de um comércio virtual são muito menores do que os de lojas físicas, o que faz com que possam oferecer preços mais baixos para os consumidores. Elas dizem ainda que o que existe no país é concorrência de mercado, e não disputa desleal.

Não há fiscalização
Ely diz que procurou a Receita Federal no Rio Grande do Sul e em São Paulo para pedir fiscalização em lojas virtuais. "Não tive sucesso. O que me disseram é que falta pessoal para fazer a fiscalização. É preciso ver se esse pessoal está importando de forma legal ou não."
A Áudio e Vídeo e a Cinema 1, segundo Ely e Siscar, poderiam faturar de 30% a 50% mais se não fosse a concorrência com as lojas virtuais. "O pior é que os consumidores que compram nessas lojas acabam depois procurando a gente para dar assistência técnica. Nós não aceitamos", afirma Ely.
Eduardo Troiano, diretor comercial da Troiano's, loja em São Paulo especializada em equipar casas com produtos de áudio e vídeo, diz que a proliferação de lojas virtuais que vendem por preços abaixo do custo só será combatida com ação de fiscalização da Receita Federal na internet.
"O consumidor tem de abrir o olho quando opta por comprar em sites. Ele tem de saber a origem do produto, se há garantia no Brasil e quem está trazendo a mercadoria do exterior, pois o barato pode sair muito mais caro", diz Troiano.
Distribuidora de várias marcas de equipamentos de áudio e vídeo no país, a Syncrotape informa que sofre concorrência desleal principalmente com marcas que entram no país pelo Paraguai. "Somos revendedores exclusivos da Denon no Brasil, só que a marca também está disponível no Paraguai. Resultado: lojas virtuais vendem no Brasil por preços 30% a 40% mais baratos os mesmos produtos que ofereço. Isso não é possível, pois a matemática não fecha", afirma Nelson Zen, gerente administrativo da Syncrotape. "Se não houvesse essa concorrência desleal, estaríamos vendendo 50% mais."

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica

quarta-feira, 2 de julho de 2008

IMPORTAÇÃO É RECORDE E SALDO CAI 44%


As importações brasileiras registraram no primeiro semestre de 2008 a maior taxa de crescimento desde 1995, quando o real tinha paridade com o dólar. As compras internacionais cresceram 50,6% na comparação com o primeiro semestre de 2007, totalizando US$ 79,27 bilhões, com média diária de US$ 644,5 milhões. As exportações tiveram o melhor primeiro semestre desde 2004.

Vendas externas
As vendas externas somaram US$ 90,64 bilhões e registraram média diária de US$ 737 milhões, o que significa uma elevação de 23,8% em relação ao primeiro semestre do ano passado.
Apesar do ritmo forte das importações, a velocidade de queda do superávit comercial em relação ao saldo de 2007 diminuiu. O superávit acumulado no primeiro semestre foi de US$ 11,37 bilhões e a média diária, de US$ 92,4 milhões, queda de 44,3% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado de janeiro a maio, o saldo estava menor em 47,4%.

Ministério do Desenvolvimento
O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, disse que esse movimento se deve à recuperação das exportações. Ele destacou que o crescimento das vendas externas em 12 meses, até junho, foi de 18,7%, acima da taxa esperada para o comércio mundial em 2008, de 15,3%. Também informou que o ministério anunciará, nos próximos dias, uma nova meta de exportações para 2008, acima dos US$ 180 bilhões já projetados. No acumulado em 12 meses, as vendas externas já somaram US$ 178 bilhões. "Existe uma tendência de diminuição de saldo, mas nós temos ainda um superávit muito importante e ele aumentou no último mês", afirmou. O saldo comercial em junho foi de US$ 2,72 bilhões, resultado de exportações de US$ 18,6 bilhões e importações de US$ 15,87 bilhões. As compras internacionais no mês registraram recorde. O volume exportado é o segundo melhor resultado, atrás apenas de maio, quando somou US$ 19,3 bilhões. O secretário alerta, no entanto, que a balança comercial de maio está contaminada pelo efeito da greve dos auditores da Receita, que levou a um acúmulo de registros de exportações naquele mês.

Aumento das importações
Para Barral, o aumento das importações não está ocorrendo em detrimento da indústria brasileira. Segundo ele, embora o nível de utilização da capacidade esteja elevado, "a indústria está trabalhando a pleno vapor". As importações de bens de consumo perderam espaço na pauta, caindo de 13,3% do total no primeiro semestre de 2007 para 12,5% em 2008.

Fonte: O Estado de São Paulo 2/7/2008

terça-feira, 1 de julho de 2008

CSN ANUNCIA MEGAINVESTIMENTOS


VR terá AF-4, aços longos e cimenteira; plano inclui também duas novas usinas, portos e mineração
Paulo Moreira
Volta Redonda

A teleconferência para divulgação dos resultados da CSN no primeiro trimestre de 2008 se transformou em um evento de anúncio de grandes investimentos. A Companhia pretende ampliar sua capacidade de produção de aço em 11,1 milhão de toneladas anuais nos próximos cinco anos, vai construir um novo porto em Itaguaí, além de ampliar as capacidades dos terminais que já possui, e ainda tem um plano para elevar de 100 para 160 milhões de toneladas anuais sua capacidade de produção de minério de ferro, com o objetivo de se tornar a quarta maior vendedora de minério de ferro do mundo. Só em siderurgia, os investimentos planejados para os próximos cinco anos chegam à casa dos 10 bilhões de dólares (cerca de 16,5 bilhões de reais).
Os investimentos em siderurgia
A CSN elevou em 1,5 milhão de toneladas anuais sua meta de crescimento da capacidade produtiva para os próximos cinco anos. A meta anterior era de 9 milhões de toneladas em unidades em Congonhas (MG) e Itaguaí, mais 600 mil toneladas na unidade da CSN Aços Longos em Volta Redonda. Agora, soma-se a esse objetivo a produção de 1,5 milhão de toneladas anuais de ferro gusa no AF-4, em Volta Redonda. A CSN modificou sua estratégia e alterou o produto final, que antes era placas de aço. A capacidade total de produção da CSN, com a expansão, deve ficar em torno dos 17 milhões de toneladas anuais.
Em Volta Redonda, a expansão da capacidade produtiva da CSN em aço vai chegar a 2,1 milhões de toneladas anuais em produtos distintos. Serão 1,5 milhão de toneladas de ferro gusa, provenientes do AF-4, e 600 mil toneladas de aços longos, que virão da CSN Aços Longos.
A primeira unidade a ser construída é a de longos, que deve estar operando já no ano que vem. A construção do AF-4 depende ainda de licenciamento ambiental e da conclusão de estudos de viabilidade, mas a existência da estrutura de apoio ao AF-1 representa uma grande economia de custos em relação aos projetos iniciados do zero.
Itaguaí também vai ganhar uma usina siderúrgica, com capacidade de produção de 4,5 milhões de toneladas de placas de aço, que serão vendidas para laminação na Europa ou nos Estados Unidos. A estratégia da CSN no médio e longo prazo inclui adquirir ativos de laminação no exterior para absorver a produção dessa usina, mas não está descartada a exportação de placas para terceiros.
A usina que a CSN fará em Congonhas, perto da mina de Casa de Pedra, tem objetivos mais ambiciosos. A produção será de aços longos, chapa grossa e trilhos, destinados ao mercado doméstico. O volume é estimado em 4,5 milhão de toneladas anuais, assim como no caso de Itaguaí. A Companhia espera a conclusão de um distrito industrial que o governo de Minas Gerais vai implantar em Congonhas para dar início ao seu projeto.
Ênfase no mercado doméstico
Com as mudanças em seu plano de investimentos, a CSN também sinaliza que vai dar mais atenção ao mercado doméstico do que ao internacional. A Companhia reduziu o volume de vendas ao mercado externo em 41,7%, na comparação entre o primeiro trimestre de 2008 e o mesmo período de 2007, e se prepara para privilegiar ainda mais as vendas domésticas. Motivo: além de os clientes internos serem mais lucrativos que os estrangeiros, por conta da queda nas cotações do dólar, a demanda doméstica também está em alta, por causa dos índices de crescimento da economia.
Essa prioridade para o mercado interno está fazendo com que as unidades da CSN no exterior – a Lusosider em Portugal e a CSN LLC, nos Estados Unidos – sejam obrigadas a procurar fornecedores para atender a seus clientes.

Porto de Itaguaí recebe US$ 2 bilhões em investimentos
Felipe Vieira
A CSN vai investir cerca de US$ 2,3 bilhões na ampliação de sua Plataforma Logística no Porto de Itaguaí. O projeto, que tem um cronograma de cinco anos, envolve a expansão do Sepetiba Tecon (Terminal de Contêineres) e do Tecar (Terminal de Carvão), além da criação de um Centro de Apoio Logístico e de um Porto Privativo batizado de Lago da Pedra.
“Esse projeto , de localização estratégica e privilegiado no que tange à acessibilidades terrestre e marítima , suportará seguramente um dos mais importantes projetos logísticos do país, unindo empreendimentos consolidados e suas expansões - Sepetiba Tecon e Tecar - com novos empreendimentos - Centro de Apoio Logístico e o Porto Lago da Pedra - vindo ao encontro da necessidade de infraestrutura no pais.”, afirma Davi Emery Cade, diretor de Logística da CSN.
Os dois maiores projetos, que são a criação de um Porto Privativo e do Centro de Apoio Logístico, terão investimentos de US$ 1 bilhão e US$ 202 milhões, respectivamente. Os píeres do novo Porto terão investimentos de R$ 791 milhões e a retroárea de US$ 238 milhões. Esta última contará com um pátios de estocagem de 1 ,2 milhão de m², para abrigar minério de ferro, carvão, contêineres e carga geral, além de uma área de apoio. Ele terá uma capacidade de exportar até 60 milhões de toneladas de minério de ferro /ano, 12 milhões de toneladas de carvão, movimentar 1 milhão de TEU /ano e 11 milhões de toneladas de carga geral e produtos siderúrgicos. Esse projeto deverá estar concluído no final de 2013.
Já o Centro de Apoio Logístico foi concebido como um condomínio logístico, com crescimento modular (built to suit) e planejado. Vem suprir uma das mais importantes carências na logística que é a falta de retroárea nos portos. O projeto contará com edifícios administrativos e institucionais , truck center , centros de distribuição , área para estocagem de conteineres cheios e vazios, armazéns dedicados para estocagem de produtos siderúrgicos, café, reefer, algodão, açúcar, produtos químicos, partes e peças, dentre outros. Sua capacidade total será de 900 mil TEUs.
Em relação ao Sepetiba Tecon estão previstas, além da equalização do Berço 301, adequações nos berços 302/302 , saindo dos atuais 540 m para 1070 m de cais continuo elevando de 600 mil TEUS para 1300 mil TEUS e dos atuais 2milhões/ton/ano de produtos siderúrgicos para 6 milhões de toneladas ano . O terminal conta com calado de 14,5m . Estes investimentos totalizarão US$ 166 milhões e possibilitarão o atendimento de dois navios de grande porte simultaneamente .
No Tecar, os investimentos somam US$ 790 milhões (sendo US$ 260 milhões já investidos) para adequação dos Berços 103/203 e ampliação do Pátio de Estocagem, proporcionando um aumento no Píer de 424 metros e, na retroárea, de 260 mil m2. Em 2012, prazo final para as obras, o Tecar terá capacidade de 100 Mtpa para minério de ferro e 8 Mtpa para carvão/outros.
“Este projeto constitui seguramente como uma das mais eficientes soluções logísticas para o Brasil”, garante Davi Cade.

Projeto de minério de ferro fica mais ambicioso
O anúncio da expansão da capacidade logística da CSN, através da ampliação de seus terminais no Porto de Itaguaí e da construção do porto Lago da Pedra, vai eliminar um “gargalo” que limitava a expansão dos volumes de venda de minério de ferro pela CSN a 100 milhões de toneladas anuais. O novo número vai ficar na casa dos 160 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, permitindo um maior aproveitamento das reservas de 8 bilhões de toneladas em Casa de Pedra.
A meta da CSN, nesse mercado, é tornar-se a quarta maior vendedora de minério de ferro do mundo dentro dos próximos cinco anos.

Namisa está à venda e IPO de Casa de Pedra é descartado
A CSN confirmou que pretende vender, em parte ou totalmente, a Nacional Minérios S.A. – Namisa. Para isso, já contratou os serviços do banco Goldman Sachs. A venda será feita para um parceiro estratégico, e não deve passar pela bolsa de valores. Com isso, a conclusão do negócio será mais rápida. A Companhia pretende usar o dinheiro para quitar sua dívida, o que vai possibilitar a obtenção de novos empréstimos para financiar o novo plano de investimentos.
Já a venda da mina de Casa de Pedra – mesmo sob a forma de uma oferta inicial de ações (IPO) – foi descartada. A CSN conta com o grande volume e a alta qualidade do minério de Casa de Pedra para suportar suas operações e sua investida como fornecedora mundial de minério.

CSN fica em quinto lugar em valor de mercado
Apesar das quedas do IBOVESPA (-5%) e do Indice Dow Jones (-8%) no primeiro trimestre deste ano, o desempenho das ações da CSN na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e na Bolsa de Nova York (NYSE) foi positivo, acumulando rentabilidade ao acionista de 19% e 21%, respectivamente. Até o dia anterior à ascensão do Brasil ao “grau de investimento” pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, quando o mercado de ações teve uma espetacular valorização, a rentabilidade acumulada das ações da CSN em 2008 atingiu 36%, uma das maiores entre as ações que compõem o Ibovespa. Em decorrência dessa expressiva rentabilidade, no dia 06/05/08 o valor de mercado da CSN chegou a US$ 35 bilhões, o 5º maior entre todas as siderúrgicas mundiais.
Os volumes negociados com as ações da CSN aumentaram tanto na Bovespa quanto na NYSE. Na Bolsa brasileira, o volume médio diário negociado passou de aproximadamente R$ 132 milhões no final de 2007 para R$ 154 milhões no primeiro trimestre deste ano, um crescimento de 16%. Na Bolsa de Nova Iorque, o crescimento do volume médio diário negociado foi ainda mais significativo, passando de US$ 90 milhões no final de 2007 para US$ 146 milhões no 1T08, um aumento de 62%.

Lucro líquido foi de R$ 767 milhões
Lucro líquido da CSN no 1T08 atingiu R$ 767 milhões, 51% superior ao registrado no último trimestre do ano pasado e estável em relação ao primeiro trimestre do ano passado, quando foram registrados ganhos não recorrentes de R$ 255 milhões (efeito líquido) provenientes da transação envolvendo oferta pela totalidade das ações de emissão do Corus Group na Inglaterra;
O volume de produtos siderúrgicos comercializado no 1T08 atingiu 1,4 milhão de toneladas, recorde para o período, um incremento de 17% em relação ao mesmo período de 2007 e estável em relação ao 4ºTrimestre 2007, período de vendas sazonalmente mais elevadas antes dos feriados de final de ano.
A receita líquida totalizou R$ 3,0 bilhões, recorde trimestral da Companhia, sendo 22% superior àquela do primeiro trimestre do ano anterior e ligeiramente superior ao quarto trimestre de 2007, período no qual as vendas são historicamente mais elevadas.
O Ebitda no primeiro trimestre atingiu R$ 1,3 bilhão, 26% maior que o registrado no mesmo período do ano passado e 1% superior ao do quarto trimestre de 2007.
A dívida líquida da empresa de R$ 4,8 bilhões apresentou redução de R$ 1,3 bilhão em relação ao 1º Trimestre 2007 e permaneceu estável em relação ao 4T07, mesmo após o pagamento de dividendos e a realização de investimentos de R$ 800 milhões e R$ 400 milhões, respectivamente.

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