VR terá AF-4, aços longos e cimenteira; plano inclui também duas novas usinas, portos e mineração
Paulo Moreira
Volta Redonda
A teleconferência para divulgação dos resultados da CSN no primeiro trimestre de 2008 se transformou em um evento de anúncio de grandes investimentos. A Companhia pretende ampliar sua capacidade de produção de aço em 11,1 milhão de toneladas anuais nos próximos cinco anos, vai construir um novo porto em Itaguaí, além de ampliar as capacidades dos terminais que já possui, e ainda tem um plano para elevar de 100 para 160 milhões de toneladas anuais sua capacidade de produção de minério de ferro, com o objetivo de se tornar a quarta maior vendedora de minério de ferro do mundo. Só em siderurgia, os investimentos planejados para os próximos cinco anos chegam à casa dos 10 bilhões de dólares (cerca de 16,5 bilhões de reais).
Os investimentos em siderurgia
A CSN elevou em 1,5 milhão de toneladas anuais sua meta de crescimento da capacidade produtiva para os próximos cinco anos. A meta anterior era de 9 milhões de toneladas em unidades em Congonhas (MG) e Itaguaí, mais 600 mil toneladas na unidade da CSN Aços Longos em Volta Redonda. Agora, soma-se a esse objetivo a produção de 1,5 milhão de toneladas anuais de ferro gusa no AF-4, em Volta Redonda. A CSN modificou sua estratégia e alterou o produto final, que antes era placas de aço. A capacidade total de produção da CSN, com a expansão, deve ficar em torno dos 17 milhões de toneladas anuais.
Em Volta Redonda, a expansão da capacidade produtiva da CSN em aço vai chegar a 2,1 milhões de toneladas anuais em produtos distintos. Serão 1,5 milhão de toneladas de ferro gusa, provenientes do AF-4, e 600 mil toneladas de aços longos, que virão da CSN Aços Longos.
A primeira unidade a ser construída é a de longos, que deve estar operando já no ano que vem. A construção do AF-4 depende ainda de licenciamento ambiental e da conclusão de estudos de viabilidade, mas a existência da estrutura de apoio ao AF-1 representa uma grande economia de custos em relação aos projetos iniciados do zero.
Itaguaí também vai ganhar uma usina siderúrgica, com capacidade de produção de 4,5 milhões de toneladas de placas de aço, que serão vendidas para laminação na Europa ou nos Estados Unidos. A estratégia da CSN no médio e longo prazo inclui adquirir ativos de laminação no exterior para absorver a produção dessa usina, mas não está descartada a exportação de placas para terceiros.
A usina que a CSN fará em Congonhas, perto da mina de Casa de Pedra, tem objetivos mais ambiciosos. A produção será de aços longos, chapa grossa e trilhos, destinados ao mercado doméstico. O volume é estimado em 4,5 milhão de toneladas anuais, assim como no caso de Itaguaí. A Companhia espera a conclusão de um distrito industrial que o governo de Minas Gerais vai implantar em Congonhas para dar início ao seu projeto.
Ênfase no mercado doméstico
Com as mudanças em seu plano de investimentos, a CSN também sinaliza que vai dar mais atenção ao mercado doméstico do que ao internacional. A Companhia reduziu o volume de vendas ao mercado externo em 41,7%, na comparação entre o primeiro trimestre de 2008 e o mesmo período de 2007, e se prepara para privilegiar ainda mais as vendas domésticas. Motivo: além de os clientes internos serem mais lucrativos que os estrangeiros, por conta da queda nas cotações do dólar, a demanda doméstica também está em alta, por causa dos índices de crescimento da economia.
Essa prioridade para o mercado interno está fazendo com que as unidades da CSN no exterior – a Lusosider em Portugal e a CSN LLC, nos Estados Unidos – sejam obrigadas a procurar fornecedores para atender a seus clientes.
Porto de Itaguaí recebe US$ 2 bilhões em investimentos
Felipe Vieira
A CSN vai investir cerca de US$ 2,3 bilhões na ampliação de sua Plataforma Logística no Porto de Itaguaí. O projeto, que tem um cronograma de cinco anos, envolve a expansão do Sepetiba Tecon (Terminal de Contêineres) e do Tecar (Terminal de Carvão), além da criação de um Centro de Apoio Logístico e de um Porto Privativo batizado de Lago da Pedra.
“Esse projeto , de localização estratégica e privilegiado no que tange à acessibilidades terrestre e marítima , suportará seguramente um dos mais importantes projetos logísticos do país, unindo empreendimentos consolidados e suas expansões - Sepetiba Tecon e Tecar - com novos empreendimentos - Centro de Apoio Logístico e o Porto Lago da Pedra - vindo ao encontro da necessidade de infraestrutura no pais.”, afirma Davi Emery Cade, diretor de Logística da CSN.
Os dois maiores projetos, que são a criação de um Porto Privativo e do Centro de Apoio Logístico, terão investimentos de US$ 1 bilhão e US$ 202 milhões, respectivamente. Os píeres do novo Porto terão investimentos de R$ 791 milhões e a retroárea de US$ 238 milhões. Esta última contará com um pátios de estocagem de 1 ,2 milhão de m², para abrigar minério de ferro, carvão, contêineres e carga geral, além de uma área de apoio. Ele terá uma capacidade de exportar até 60 milhões de toneladas de minério de ferro /ano, 12 milhões de toneladas de carvão, movimentar 1 milhão de TEU /ano e 11 milhões de toneladas de carga geral e produtos siderúrgicos. Esse projeto deverá estar concluído no final de 2013.
Já o Centro de Apoio Logístico foi concebido como um condomínio logístico, com crescimento modular (built to suit) e planejado. Vem suprir uma das mais importantes carências na logística que é a falta de retroárea nos portos. O projeto contará com edifícios administrativos e institucionais , truck center , centros de distribuição , área para estocagem de conteineres cheios e vazios, armazéns dedicados para estocagem de produtos siderúrgicos, café, reefer, algodão, açúcar, produtos químicos, partes e peças, dentre outros. Sua capacidade total será de 900 mil TEUs.
Em relação ao Sepetiba Tecon estão previstas, além da equalização do Berço 301, adequações nos berços 302/302 , saindo dos atuais 540 m para 1070 m de cais continuo elevando de 600 mil TEUS para 1300 mil TEUS e dos atuais 2milhões/ton/ano de produtos siderúrgicos para 6 milhões de toneladas ano . O terminal conta com calado de 14,5m . Estes investimentos totalizarão US$ 166 milhões e possibilitarão o atendimento de dois navios de grande porte simultaneamente .
No Tecar, os investimentos somam US$ 790 milhões (sendo US$ 260 milhões já investidos) para adequação dos Berços 103/203 e ampliação do Pátio de Estocagem, proporcionando um aumento no Píer de 424 metros e, na retroárea, de 260 mil m2. Em 2012, prazo final para as obras, o Tecar terá capacidade de 100 Mtpa para minério de ferro e 8 Mtpa para carvão/outros.
“Este projeto constitui seguramente como uma das mais eficientes soluções logísticas para o Brasil”, garante Davi Cade.
Projeto de minério de ferro fica mais ambicioso
O anúncio da expansão da capacidade logística da CSN, através da ampliação de seus terminais no Porto de Itaguaí e da construção do porto Lago da Pedra, vai eliminar um “gargalo” que limitava a expansão dos volumes de venda de minério de ferro pela CSN a 100 milhões de toneladas anuais. O novo número vai ficar na casa dos 160 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, permitindo um maior aproveitamento das reservas de 8 bilhões de toneladas em Casa de Pedra.
A meta da CSN, nesse mercado, é tornar-se a quarta maior vendedora de minério de ferro do mundo dentro dos próximos cinco anos.
Namisa está à venda e IPO de Casa de Pedra é descartado
A CSN confirmou que pretende vender, em parte ou totalmente, a Nacional Minérios S.A. – Namisa. Para isso, já contratou os serviços do banco Goldman Sachs. A venda será feita para um parceiro estratégico, e não deve passar pela bolsa de valores. Com isso, a conclusão do negócio será mais rápida. A Companhia pretende usar o dinheiro para quitar sua dívida, o que vai possibilitar a obtenção de novos empréstimos para financiar o novo plano de investimentos.
Já a venda da mina de Casa de Pedra – mesmo sob a forma de uma oferta inicial de ações (IPO) – foi descartada. A CSN conta com o grande volume e a alta qualidade do minério de Casa de Pedra para suportar suas operações e sua investida como fornecedora mundial de minério.
CSN fica em quinto lugar em valor de mercado
Apesar das quedas do IBOVESPA (-5%) e do Indice Dow Jones (-8%) no primeiro trimestre deste ano, o desempenho das ações da CSN na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e na Bolsa de Nova York (NYSE) foi positivo, acumulando rentabilidade ao acionista de 19% e 21%, respectivamente. Até o dia anterior à ascensão do Brasil ao “grau de investimento” pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, quando o mercado de ações teve uma espetacular valorização, a rentabilidade acumulada das ações da CSN em 2008 atingiu 36%, uma das maiores entre as ações que compõem o Ibovespa. Em decorrência dessa expressiva rentabilidade, no dia 06/05/08 o valor de mercado da CSN chegou a US$ 35 bilhões, o 5º maior entre todas as siderúrgicas mundiais.
Os volumes negociados com as ações da CSN aumentaram tanto na Bovespa quanto na NYSE. Na Bolsa brasileira, o volume médio diário negociado passou de aproximadamente R$ 132 milhões no final de 2007 para R$ 154 milhões no primeiro trimestre deste ano, um crescimento de 16%. Na Bolsa de Nova Iorque, o crescimento do volume médio diário negociado foi ainda mais significativo, passando de US$ 90 milhões no final de 2007 para US$ 146 milhões no 1T08, um aumento de 62%.
Lucro líquido foi de R$ 767 milhões
Lucro líquido da CSN no 1T08 atingiu R$ 767 milhões, 51% superior ao registrado no último trimestre do ano pasado e estável em relação ao primeiro trimestre do ano passado, quando foram registrados ganhos não recorrentes de R$ 255 milhões (efeito líquido) provenientes da transação envolvendo oferta pela totalidade das ações de emissão do Corus Group na Inglaterra;
O volume de produtos siderúrgicos comercializado no 1T08 atingiu 1,4 milhão de toneladas, recorde para o período, um incremento de 17% em relação ao mesmo período de 2007 e estável em relação ao 4ºTrimestre 2007, período de vendas sazonalmente mais elevadas antes dos feriados de final de ano.
A receita líquida totalizou R$ 3,0 bilhões, recorde trimestral da Companhia, sendo 22% superior àquela do primeiro trimestre do ano anterior e ligeiramente superior ao quarto trimestre de 2007, período no qual as vendas são historicamente mais elevadas.
O Ebitda no primeiro trimestre atingiu R$ 1,3 bilhão, 26% maior que o registrado no mesmo período do ano passado e 1% superior ao do quarto trimestre de 2007.
A dívida líquida da empresa de R$ 4,8 bilhões apresentou redução de R$ 1,3 bilhão em relação ao 1º Trimestre 2007 e permaneceu estável em relação ao 4T07, mesmo após o pagamento de dividendos e a realização de investimentos de R$ 800 milhões e R$ 400 milhões, respectivamente.
Fonte: http://diariodovale.uol.com.br/
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