
O forte crescimento do produto interno bruto (PIB) agropecuário, divulgado na quarta-feira, confirma o bom desempenho do agronegócio brasileiro, mesmo enfrentando obstáculos como a alta nos custos de produção, a valorização do real, que torna as exportações menos competitivas, e a crescente instabilidade dos preços das commodities, decorrente de movimentos especulativos financeiros. Entretanto, os gargalos decorrentes da falta de investimentos do governo em infra-estrutura e defesa sanitária podem comprometer a continuidade do processo de expansão acelerada do agronegócio, segundo especialistas.
"O setor industrial, que produz máquinas e equipamentos para colheita, para construção de usinas de açúcar e álcool e mesmo para a produção de contêineres, fez o seu dever de casa e está investindo na ampliação de sua capacidade instalada. Já os problemas de ordem logística e sanitária continuam ameaçando uma arrancada maior do agronegócio por falta de maior empenho do governo", diz Amaryllis Romano, analista da Tendências Consultoria.
O crescimento das exportações de carnes, por exemplo, levou os frigoríficos a enfrentar um problema pitoresco. O transporte de carnes para os portos era limitado pela falta de tomadas elétricas em número suficiente para que os contêineres refrigerados fossem conectados à rede elétrica a fim de manter a temperatura da carne em níveis adequados para sua conservação. O frigorífico Marfrig é obrigado a armazenar seus contêineres em outras áreas em função desse gargalo. "O problema de falta de tomadas já foi maior. A situação só não se agravou porque o volume exportado este ano será menor", diz José Vicente Ferraz, diretor-técnico da AgraFNP.
Investimentos privados já estão, contudo, minimizando este problema. O frigorífico Independência investe desde 2002 no aumento do número de tomadas no Porto de Santos. De acordo com Fernanda Flauzino, gerente de relações com investidor do Independência, a empresa possui hoje uma capacidade de armazenamento refrigerado de 8 mil toneladas, volume equivalente a 60% da capacidade total do porto.
A Dedini, empresa de equipamentos agrícolas voltados para o setor sucroalcooleiro, também decidiu investir no aumento de sua capacidade de produção para evitar gargalos na entrega de equipamentos. Diante da maior demanda por caldeiras de alta pressão para produção de energia elétrica com bagaço de cana, a Dedini elevou sua capacidade instalada de 12 para 36 caldeiras por ano, de acordo com o vice-presidente da empresa, Sérgio Leme dos Santos.
A indústria de máquinas agrícolas também se preparou para o aquecimento do setor, de acordo com o vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Milton Rego. Segundo ele, a capacidade instalada da indústria é suficiente para produção de mais de 105 mil máquinas no ano. A Anfavea projeta vendas de 85 mil máquinas neste ano, cerca de 40% acima do que foi registrado no ano anterior. "Não há gargalo na indústria. Trata-se apenas de planejamento", afirma.
Fonte: O Estado de São Paulo 12/9/2008
Nenhum comentário:
Postar um comentário