quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Por temer perda na crise, Operador Logístico amplia ação


Grande parte dos operadores logísticos que atuam no País, especialmente os europeus, até agora não apresentaram resultados negativos de suas atividades locais, mantendo, ainda, suas metas de negócio e sem prever, pelo menos por enquanto, o cancelamento de investimentos programados no curto prazo. Empresas como a Ceva Logistics, especializada no transporte de carga no setor automotivo e que previa um incremento nos negócios de 18% antes da crise, afirma que garantirá números favoráveis este ano, mesmo com as férias coletivas nas montadoras, além de diversificar a atuação nos próximos meses. Já a francesa ID Logística está mais cautelosa. A empresa diz que verá crescimento na casa dos 20% em 2008, com o fechamento de novos contratos na área de varejo, sua principal atuação.
"Como atuamos junto ao setor de varejo, isso acaba sendo uma vantagem, porque mesmo que o volume abaixe um pouco, ele existirá, uma vez que as pessoas continuam a consumir alimentos. Outro fator importante é que, além da Europa, atuamos na América do Sul e na Ásia, fora do foco principal da crise", analisou Eric Hémar, CEO mundial da ID Logistics, em visita ao País. Hémar comentou que a empresa desenvolveu ações para trabalhar com mais flexibilidade, lidando com a variação de volume deste período. O executo leva em consideração que alguns clientes podem adiar projetos, mas disse que a operadora trabalhará para resgatá-los ao longo do próximo ano. Outro fator apontado pelo CEO é que a solidez econômica local pode adiar os impactos econômicos e que neste final de ano o varejo deve trabalhar a todo vapor para o Natal.

Ferramentas
Oferecer as ferramentas necessárias para apoiar processo logístico de redes como Carrefour e Leroy Merlin é o negócio da ID Logistics, que também atende essas empresas em outros países do mundo. No Brasil, a companhia iniciou agora uma operação de otimização e organização do transporte para a Leroy Merlin e promete uma operação mais complexa, que inclui entregas ao consumidor final, para um grande varejista do Rio de Janeiro.
A operadora logística deve faturar mundialmente 300 milhões de euros, o que representa uma alta de 20% sobre 2007. A fatia do Brasil deverá ficar em R$ 75 milhões.

Diversificação
Outra européia que afirma ter os resultados garantidos este ano é a Ceva Logistics, apesar de grande parte de suas operações, cerca de 60%, estar ligada ao transporte de peças para a indústria automotiva. Ricardo Melchiori, diretor de industrializados da Ceva, disse, em entrevista ao DCI, que a empresa trabalha seu crescimento em outros segmentos. "Continuaremos fortes no automotivo, mas avançaremos em áreas como a indústria, por exemplo", disse o executivo, ao citar o atendimento a empresas como Alcoa e Vale.
A Ceva acaba de fechar parceria com outra empresa para desenvolver um contêiner especial para a movimentação de commodities, para aproveitar possíveis oportunidades nesse mercado. A operadora também está de olho em aumentar seus negócios no setor de eletroeletrônicos, um dos grandes impulsionadores do varejo há mais de um ano.
Ontem o Grupo Ceva anunciou resultado mundial com avanço de 25% no faturamento trimestral, um total de 1,7 bilhões de euros no trimestre, em suas duas divisões: a de Contratos Logísticos e a de Gerenciamento de Fretes. Seguindo o câmbio de 2007, avançou 10% frente ao mesmo período anterior.
Offshore
Outra operadora logística, a brasileira Wilson Sons, operador logístico com atividades focadas no modal marítimo, comunicou ao mercado que está em fase final de negociações com a Magallanes Navegação Brasileira S.A., do grupo Ultratug, para formação de uma joint venture.
O contrato deve originar operações apoio marítimo à exploração e produção de petróleo e gás. As empresas envolvidas pretendem juntas ampliar seus negócios no segmento de offshore, para aproveitar o aquecimento local dessa indústria.

Fonte: DCI 12/11/2008

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