
Grande parte dos operadores logísticos que atuam no País, especialmente os europeus, até agora não apresentaram resultados negativos de suas atividades locais, mantendo, ainda, suas metas de negócio e sem prever, pelo menos por enquanto, o cancelamento de investimentos programados no curto prazo. Empresas como a Ceva Logistics, especializada no transporte de carga no setor automotivo e que previa um incremento nos negócios de 18% antes da crise, afirma que garantirá números favoráveis este ano, mesmo com as férias coletivas nas montadoras, além de diversificar a atuação nos próximos meses. Já a francesa ID Logística está mais cautelosa. A empresa diz que verá crescimento na casa dos 20% em 2008, com o fechamento de novos contratos na área de varejo, sua principal atuação.
"Como atuamos junto ao setor de varejo, isso acaba sendo uma vantagem, porque mesmo que o volume abaixe um pouco, ele existirá, uma vez que as pessoas continuam a consumir alimentos. Outro fator importante é que, além da Europa, atuamos na América do Sul e na Ásia, fora do foco principal da crise", analisou Eric Hémar, CEO mundial da ID Logistics, em visita ao País. Hémar comentou que a empresa desenvolveu ações para trabalhar com mais flexibilidade, lidando com a variação de volume deste período. O executo leva em consideração que alguns clientes podem adiar projetos, mas disse que a operadora trabalhará para resgatá-los ao longo do próximo ano. Outro fator apontado pelo CEO é que a solidez econômica local pode adiar os impactos econômicos e que neste final de ano o varejo deve trabalhar a todo vapor para o Natal.
Ferramentas
Oferecer as ferramentas necessárias para apoiar processo logístico de redes como Carrefour e Leroy Merlin é o negócio da ID Logistics, que também atende essas empresas em outros países do mundo. No Brasil, a companhia iniciou agora uma operação de otimização e organização do transporte para a Leroy Merlin e promete uma operação mais complexa, que inclui entregas ao consumidor final, para um grande varejista do Rio de Janeiro.
A operadora logística deve faturar mundialmente 300 milhões de euros, o que representa uma alta de 20% sobre 2007. A fatia do Brasil deverá ficar em R$ 75 milhões.
Diversificação
Outra européia que afirma ter os resultados garantidos este ano é a Ceva Logistics, apesar de grande parte de suas operações, cerca de 60%, estar ligada ao transporte de peças para a indústria automotiva. Ricardo Melchiori, diretor de industrializados da Ceva, disse, em entrevista ao DCI, que a empresa trabalha seu crescimento em outros segmentos. "Continuaremos fortes no automotivo, mas avançaremos em áreas como a indústria, por exemplo", disse o executivo, ao citar o atendimento a empresas como Alcoa e Vale.
A Ceva acaba de fechar parceria com outra empresa para desenvolver um contêiner especial para a movimentação de commodities, para aproveitar possíveis oportunidades nesse mercado. A operadora também está de olho em aumentar seus negócios no setor de eletroeletrônicos, um dos grandes impulsionadores do varejo há mais de um ano.
Ontem o Grupo Ceva anunciou resultado mundial com avanço de 25% no faturamento trimestral, um total de 1,7 bilhões de euros no trimestre, em suas duas divisões: a de Contratos Logísticos e a de Gerenciamento de Fretes. Seguindo o câmbio de 2007, avançou 10% frente ao mesmo período anterior.
Offshore
Outra operadora logística, a brasileira Wilson Sons, operador logístico com atividades focadas no modal marítimo, comunicou ao mercado que está em fase final de negociações com a Magallanes Navegação Brasileira S.A., do grupo Ultratug, para formação de uma joint venture.
O contrato deve originar operações apoio marítimo à exploração e produção de petróleo e gás. As empresas envolvidas pretendem juntas ampliar seus negócios no segmento de offshore, para aproveitar o aquecimento local dessa indústria.
Fonte: DCI 12/11/2008
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