Empresários brasileiros e argentinos decidiram deixar de lado os contenciosos e partir para uma agenda positiva de integração de negócios. Este foi o tom do discurso que o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Jorge Taiana, estabeleceu no comando da missão composta por mais de 100 empresários que começou ontem, em São Paulo, a cumprir uma agenda com mais de 400 reuniões e contatos com empresários brasileiros, com foco ajustado para a realização de negócios. As transações comerciais entre Brasil e Argentina movimentam aproximadamente US$ 25 bilhões ao ano, mas nem o superávit de cerca de US$ 4 bilhões na balança comercial, a favor dos brasileiros, representou um desconforto.
Segundo o ministro argentino, que participou ontem da abertura da primeira rodada de negócios na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a decisão de aprofundar as relações entre Brasil e Argentina é estratégica e foi definida nos encontros entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a presidente Cristina Kirchner. Para Taiana, o Mercosul é uma ferramenta fundamental para integração da região e alertou para a necessidade de se criar ferramentas financeiras que ajudem a destravar as atividades.
O momento é positivo para ambos os países, na avaliação de Taiana. O incremento constante da economia brasileira é acompanhado pela expansão da economia argentina, que cresceu 8,7% em 2007. "As perspectivas para o mercado mundial nos fazem prever que o crescimento da Argentina será sustentável para os próximos anos", declarou Taiana. A missão bilateral será encerrada dia 28 e inclui Belo Horizonte (MG) no roteiro.
Paulo Skaf, presidente da Fiesp, afirmou que nos encontros entre brasileiros e argentinos realizados no passado muito tempo foi perdido nas discussões do que classificou como "pequenos problemas, questões menores que muitas vezes tomam a agenda". Segundo Skaf, estes pontos de atrito devem ficar fora das rodadas negociais. "Nós não estamos aqui para discutir contenciosos. Hoje, aqui não se vai discutir questões pontuais". Para ele, os desentendimentos devem ser exceções. "A regra deve ser o perfeito entendimento e é isso que nós temos que buscar em nossas relações", declarou Skaf, que no segundo semestre parte com um grupo de empresários brasileiros para Buenos Aires em uma segunda etapa de contatos.
A iniciativa privada terá um papel essencial para o secretário geral do Ministério das Relações Exteriores brasileiro, Samuel Pinheiro Guimarães, "é preciso promover a integração de nossas economias" e, de acordo com ele, "esse é um processo que só pode ser feito pelos empresários".
O comportamento dos empresários está baseado nos resultados recentes, na avaliação de Mário Marconini, diretor de Negociações Internacionais da Fiesp. "A gente criou uma espécie de mania de reclamar do Mercosul e achar que está tudo errado com base em alguns pontos", diz Marconini. "Mas a verdade é que o comércio cresce", afirma. Os eventuais desequilíbrios da balança comercial e no fluxo de investimentos entre os países podem entrar nas discussões bilaterais, mas não são necessariamente negativos. "Não é bem assim que os empresários pensam, eles querem atividade econômica".
Para Marconini, pode ocorrer alguma queixa quando um determinado segmento se sentir afetado; podem surgir comentários sobre o caráter "explosivo" do crescimento econômico argentino e do controle de preços. "Não deixa de ser verdade também que (Brasil e Argentina) são países que resolveram não ser guiados por agendas externas. Acho isso muito positivo. Não é que eu seja contra ou a favor do Alca. Não é bem isso. Mas a verdade é que passamos os anos 90 e a metade dessa década falando de agendas importadas e esses países estão fazendo uma espécie de retiro budista, tentando olhar para si mesmos para ver do que são capazes".
O risco desta postura é ficar "deslumbrado" com o fato de ter descoberto o que se quer e esquecer o que ocorre no mundo. " Acho que o maior problema do Mercosul é que ainda não tem uma visão de mundo. Não conseguimos dizer onde é que ele se insere no mercado mundial. Como bloco, a gente deveria definir isso".
segunda-feira, 31 de março de 2008
BRASIL PRECISA INVESTIR MAIS NA FORMAÇÃO DE TÉCNICOS

O Brasil terá de correr contra o tempo para se recuperar da falta de investimento em educação nos últimos anos, especialmente no ensino técnico. O diagnóstico foi feito pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócioeconômicos (Dieese), após a análise detalhada dos números ligados à educação brasileira. "Os tempos ruins fizeram com que empresas e o governo deixassem de investir em capacitação e agora eles vão pagar o preço pela falta de pessoal habilitado", afirma o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio.
Para se recuperar, os desafio são grandes. Como investimentos em educação demoram para começar a aparecer, a falta de profissionais vai levar muitas empresas a um autêntico "garimpo" por talentos. "Muito torneiro mecânico e mestre de obra que viraram garçom nos últimos anos ganharão espaço nesse novo cenário", diz Lúcio.
A radiografia do "apagão educacional" feita pelo Dieese mostra ainda que as despesas da União com a manutenção e desenvolvimento do ensino chegou a R$ 19,6 bilhões em 2006, 113% acima dos R$ 9,2 bilhões registrados em 2001 e 44% a mais que em 2005. A maior parte dessas despesas se concentra no Ensino Fundamental, com 48%, e só 6,4% são destinados a Ensino Médio, onde se concentra o aprendizado técnico. Especificamente, só 1,7% vai para o Ensino Profissionalizante, enquanto o Ensino Superior fica com 12,9% do bolo.
O aumento dos investimentos deve reduzir a taxa de analfabetismo no Brasil, conforme as projeções feita pelo Dieese, passando de 11,1% em 2005 para 8,2% até 2015. Na Argentina, esses números chegaram a 2,8% em 2005 e devem cair para 2,1% até 2015. No total, a região da América Latina e Caribe concentrava 9,5% de analfabetos em sua população em 2005 e deve reduzir para 7,1% até 2015.
Essa redução, entretanto, só se dará a custa de muito investimento, segundo o Dieese. A Alemanha, por exemplo gasta por estudante US$ 7.368 ao ano do primário até o ensino superior. Já o Brasil gasta apenas US$ 1.242 e Argentina US$ 1.625. A Coréia, modelo mundial de investimento em educação, gastou em 2003 US$ 5.733 e o Chile US$ 2.876. Os EUA e a Suíça lideram os investimentos em educação, com gastos em torno de US$ 12 mil por estudante.
"O estudo aponta todas as carências e indica que, se não houver investimento real em qualificação, o crescimento econômico pode estar comprometido", afirma o diretor. Para ele, em função da demora da maturação deste investimentos, será muito mais fácil, apesar de tudo, tentar achar os profissionais que atuavam anteriormente no mercado do que esperar pelos novos que sairão das escolas técnicas. "É mais fácil contratar um torneiro experiente, mesmo que se tenha de capacitá-lo para trabalhar nas novas máquinas. Além disso, ele pode liderar uma equipe de jovens passando seu conhecimento e acelerando o aprendizado dos novatos".Isso deve ampliar o mercado para aqueles profissionais com mais de 40 anos, que trazem na bagagem todo o conhecimento essencial para as empresas neste momento. A remuneração também deve melhorar por conta da falta de profissionais no mercado. "A combinação de gente com e sem experiência é muito boa, mas para profissionais mais qualificados não tem jeito, será preciso pagar mais para conseguir", explica o diretor.
Dessa forma, o Brasil começa a pagar a conta por tantos anos de abandono da educação. Na Alemanha, cerca de 70% dos profissionais tem ensino técnico ou tecnológico. No Brasil, aproximadamente 20% da mão de obra, juntando-se todos os tipos de formações especiais, têm ensino técnico. Em muitos casos, as pessoas buscam o ensino superior quando o mercado precisa do técnico.
Fonte: Gazeta Mercantil 20/3/2008
Escrito por Alexandre Siqueira às Quinta-feira, 20 Março
PORTO DE PARANAGUÁ FORNECERÁ LOGÍSTICA PARA CONGELADOS
Sexta-feira, 14 Março 2008
Já operando com o maior Corredor de exportação de grãos da América Latina, o Porto de Paranaguá vai lançar, a partir de amanhã, o seu projeto Corredor de Congelados do Paraná, para deslocar para os portos de Paranaguá e Antonina o eixo das exportações de carnes brasileiras. O corredor é uma parceria do terminal com seis empresas que atuam no ramo de congelados no Paraná: Terminal Ponta do Félix, Martini Meat, Standard Logística, América Latina Logística (ALL), Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) e Wilson, Sons. O objetivo é oferecer logística e armazenagem para atrair maior volume de carga e interesse dos armadores em fazer escalas nos portos paranaenses. Segundo Eduardo Requião, Superintendente da Appa (Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina), a meta é atingir inicialmente um volume 50 mil toneladas por mês com o embarque de carnes congeladas.
Em 2007, das 3.169.000 toneladas de carne de frango exportadas no Brasil, 44% saíram por Santa Catarina, 35% pelo Paraná e 7% por São Paulo. Dos suínos, das 538.000 toneladas exportadas, 67% saíram por Santa Catarina, 16% pelo Paraná e 1% por São Paulo. Já com relação à carne bovina, das 1.862.000 toneladas exportadas em 2007, apenas 5% saíram pelo Paraná, 16% por Santa Catarina e 77% por São Paulo. O Corredor de Exportação vai oferecer de seis berços dedicados à operação de congelados (quatro em Paranaguá e dois em Antonina), pátio de armazenagem de contêineres em zona primária com 370.000 metros quadrados, capacidade de armazenagem frigorífica para 58.000 toneladas e ramal ferroviário em zona primária, com operações diárias.
Fonte: Gazeta Mercantil 14/3/2008
Escrito por Alexandre Siqueira às Sexta-feira, 14 Março 2008
Já operando com o maior Corredor de exportação de grãos da América Latina, o Porto de Paranaguá vai lançar, a partir de amanhã, o seu projeto Corredor de Congelados do Paraná, para deslocar para os portos de Paranaguá e Antonina o eixo das exportações de carnes brasileiras. O corredor é uma parceria do terminal com seis empresas que atuam no ramo de congelados no Paraná: Terminal Ponta do Félix, Martini Meat, Standard Logística, América Latina Logística (ALL), Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) e Wilson, Sons. O objetivo é oferecer logística e armazenagem para atrair maior volume de carga e interesse dos armadores em fazer escalas nos portos paranaenses. Segundo Eduardo Requião, Superintendente da Appa (Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina), a meta é atingir inicialmente um volume 50 mil toneladas por mês com o embarque de carnes congeladas.
Em 2007, das 3.169.000 toneladas de carne de frango exportadas no Brasil, 44% saíram por Santa Catarina, 35% pelo Paraná e 7% por São Paulo. Dos suínos, das 538.000 toneladas exportadas, 67% saíram por Santa Catarina, 16% pelo Paraná e 1% por São Paulo. Já com relação à carne bovina, das 1.862.000 toneladas exportadas em 2007, apenas 5% saíram pelo Paraná, 16% por Santa Catarina e 77% por São Paulo. O Corredor de Exportação vai oferecer de seis berços dedicados à operação de congelados (quatro em Paranaguá e dois em Antonina), pátio de armazenagem de contêineres em zona primária com 370.000 metros quadrados, capacidade de armazenagem frigorífica para 58.000 toneladas e ramal ferroviário em zona primária, com operações diárias.
Fonte: Gazeta Mercantil 14/3/2008
Escrito por Alexandre Siqueira às Sexta-feira, 14 Março 2008
MANDARIM SERÁ LÍNGUA OFICIAL NAS MESAS DE NEGOCIAÇÃO
Segunda-feira, 10 Março 2008
Assim como o latim já foi, um dia, o idioma mais influente no planeta, o inglês é hoje a língua predominante nas relações internacionais. Mas, graças à ascensão da China como principal país em desenvolvimento - com seus 1,3 bilhão potenciais consumidores - este quadro começa a mudar. Uma pesquisa encomendada pelo Fórum Econômico Mundial em 2007 e divulgada em janeiro deste ano, mostrou que o mandarim seria o escolhido pela maior parte dos líderes globais (43,9%), caso tivessem de aconselhar um jovem amigo ou parente sobre o estudo de um idioma. No levantamento, o mandarim superou o inglês (38,8%) e o espanhol (9,4%). A exemplo do que já aconteceu com o latim e o inglês, a tendência é de que, em um breve futuro, o mandarim torne-se o idioma mais falado nas mesas de negociação. "Na minha visão, o mandarim será como o inglês hoje", projeta o diretor de China Desk da KPMG no Brasil, Hsieh Yuan. "Hoje, boa parte das informações relativas à China e que trazem impacto às negociações continuam sendo geradas em mandarim. Assim, quem tiver a vantagem de ouvir uma rádio ou assistir um programa de TV em tempo real terá acesso a informações que somente algumas horas depois ou no dia seguinte terão sua versão em inglês", diz o consultor. Segundo o responsável pela divisão de engenharia da Michael Page no sul do País, Cristiano Aron, de 10% a 15% das empresas do setor que mantêm algum tipo de relacionamento com a China já buscam profissionais com domínio do mandarim. Por isso, informa Aron, o executivo que fala o idioma tem uma remuneração em média 20% a maior do que aquele que fala somente o inglês. Um gerente de médio escalão com inglês fluente, por exemplo, ganha na faixa de R$ 8 mil a R$ 10 mil. Entre os que falam mandarim, o salário pode chegar a R$ 12 mil. "Hoje, o profissional com mandarim disposto a seguir em frente está valorizado", comenta Aron. "O que acontece é que o inglês falado pelo executivo chinês não é perfeito. E isso faz com que muitas vezes ele não entenda tudo o que se fala em uma reunião", explica. Segundo Hsieh Yuan, da KPMG, a busca por profissionais com domínio do mandarim cresceu sensivelmente nos últimos anos em função do grande afluxo de companhias de todos os continentes à China. Na última década, diz ele, mais de 150 mil empresas da Europa e dos Estados Unidos instalaram bases no país. Por outro lado, muitas empresas chinesas passaram a atuar fora da China. A expansão obrigou a consultoria a montar um serviço especial para atender as subsidiadas chinesas dentro e fora da China, criando equipes específicas com biculturalidade e conhecimento técnico e cultural suficientes para auxiliar na comunicação entre os mundos ocidental e oriental. "Os processos de raciocínio entre o chinês e o brasileiro são diferentes", explica Yuan. "O serviço visa facilitar a comunicação e aumentar a velocidade, dentro do que se exige hoje." Sino-exaltação. De olho nesta tendência, muitas instituições de ensino mundo afora estão incorporando o mandarim às opções oferecidas aos seus alunos. Segundo estatísticas do Ministério da Educação da China, mais de 30 milhões de pessoas no mundo estão aprendendo chinês. No total, mais de 2,5 mil universidades em cem países oferecem cursos de chinês. Falado por 94% dos chineses, o mandarim possui 80 mil caracteres, chamados de "hanzis", dos quais 7 mil são mais usados. No Brasil, até o alemão Colégio Humboldt, que forma seus alunos em português e no idioma de Goethe, investe na iniciação ao mandarim - ainda que de forma extracurricular. São dois cursos, voltados aos alunos do sétimo ao nono ano (antigas sexta a oitava séries) e do ensino médio. As aulas são ministradas pelo professor David Jye Yuan Shyu, responsável pelo Departamento de Línguas Orientais da Universidade de São Paulo (USP). "Nesta época de globalização, a gente vê o chinês como o ‘latim do passado’ e o ‘inglês do futuro’", comenta o vice-diretor da escola, Herbert Zorn. "Essas coisas acontecem cada vez mais rápidas. Acredito que daqui a poucas décadas, se chegar a tanto, o chinês passará até o inglês em importância." A Business School São Paulo, por meio da Universidade Anhembi Morumbi, lançou recentemente o programa Global Extension, que dá oportunidade a seus alunos de vivenciar experiências internacionais. Entre as atividades propostas está o curso "Discovering Business in China". Já a franquia de São Paulo da Berlitz International, uma das principais empresas de serviços de idiomas do mundo, oferece um curso on-line de mandarim. Além disso, também disponibiliza o programa "Doing Business in China", também on-line, que mostra as principais diferenças culturais que envolvem as práticas de negócios na China. Trânsito cultural. A questão cultural, de uma forma mais ampla, também deve ser preocupação dos executivos interessados em atuar ou interagir com o mercado chinês. Na opinião do presidente da Escola de Marketing Industrial e diretor da consultoria JCTM, José Carlos Teixeira Moreira, mais do que o domínio do mandarim, as empresas esperam dos profissionais o entendimento e respeito às diferentes culturas. "O que mais estão pedindo é trânsito cultural, ou seja, se eu falo mandarim ou inglês e me porto na China com respeito aos rituais chineses", explica Moreira. "Os rituais expressam valores. Por isso, mais importante do que falar o mandarim, é respeitar os rituais."
Uma das razões para que os ritos sejam tão considerados é a grande quantidade de variações dos idiomas falados na China. Embora o mandarim (dialeto de Pequim) tenha sido a língua adotada oficialmente em um plebiscito na década de 1960, o país conta com mais de 300 dialetos. Mas o motivo principal para a atenção aos detalhes extralingüísticos é que, no Oriente, um ato banal cometido normalmente no Ocidente pode antecipar o fim de um encontro e até, em casos extremos, detonar de vez com uma negociação (ver quadro). "Para um chinês, acenar com a cabeça não quer dizer que se está concordando, mas que entendeu o que o interlocutor falou", exemplifica Yuan, da KPMG. Por isso, especialmente na China, é importante para o executivo manter os olhos bem abertos.
Fonte: Gazeta Mercantil 10/3/2008
Escrito por Alexandre Siqueira às Segunda-feira, 10 Março 2008
Assim como o latim já foi, um dia, o idioma mais influente no planeta, o inglês é hoje a língua predominante nas relações internacionais. Mas, graças à ascensão da China como principal país em desenvolvimento - com seus 1,3 bilhão potenciais consumidores - este quadro começa a mudar. Uma pesquisa encomendada pelo Fórum Econômico Mundial em 2007 e divulgada em janeiro deste ano, mostrou que o mandarim seria o escolhido pela maior parte dos líderes globais (43,9%), caso tivessem de aconselhar um jovem amigo ou parente sobre o estudo de um idioma. No levantamento, o mandarim superou o inglês (38,8%) e o espanhol (9,4%). A exemplo do que já aconteceu com o latim e o inglês, a tendência é de que, em um breve futuro, o mandarim torne-se o idioma mais falado nas mesas de negociação. "Na minha visão, o mandarim será como o inglês hoje", projeta o diretor de China Desk da KPMG no Brasil, Hsieh Yuan. "Hoje, boa parte das informações relativas à China e que trazem impacto às negociações continuam sendo geradas em mandarim. Assim, quem tiver a vantagem de ouvir uma rádio ou assistir um programa de TV em tempo real terá acesso a informações que somente algumas horas depois ou no dia seguinte terão sua versão em inglês", diz o consultor. Segundo o responsável pela divisão de engenharia da Michael Page no sul do País, Cristiano Aron, de 10% a 15% das empresas do setor que mantêm algum tipo de relacionamento com a China já buscam profissionais com domínio do mandarim. Por isso, informa Aron, o executivo que fala o idioma tem uma remuneração em média 20% a maior do que aquele que fala somente o inglês. Um gerente de médio escalão com inglês fluente, por exemplo, ganha na faixa de R$ 8 mil a R$ 10 mil. Entre os que falam mandarim, o salário pode chegar a R$ 12 mil. "Hoje, o profissional com mandarim disposto a seguir em frente está valorizado", comenta Aron. "O que acontece é que o inglês falado pelo executivo chinês não é perfeito. E isso faz com que muitas vezes ele não entenda tudo o que se fala em uma reunião", explica. Segundo Hsieh Yuan, da KPMG, a busca por profissionais com domínio do mandarim cresceu sensivelmente nos últimos anos em função do grande afluxo de companhias de todos os continentes à China. Na última década, diz ele, mais de 150 mil empresas da Europa e dos Estados Unidos instalaram bases no país. Por outro lado, muitas empresas chinesas passaram a atuar fora da China. A expansão obrigou a consultoria a montar um serviço especial para atender as subsidiadas chinesas dentro e fora da China, criando equipes específicas com biculturalidade e conhecimento técnico e cultural suficientes para auxiliar na comunicação entre os mundos ocidental e oriental. "Os processos de raciocínio entre o chinês e o brasileiro são diferentes", explica Yuan. "O serviço visa facilitar a comunicação e aumentar a velocidade, dentro do que se exige hoje." Sino-exaltação. De olho nesta tendência, muitas instituições de ensino mundo afora estão incorporando o mandarim às opções oferecidas aos seus alunos. Segundo estatísticas do Ministério da Educação da China, mais de 30 milhões de pessoas no mundo estão aprendendo chinês. No total, mais de 2,5 mil universidades em cem países oferecem cursos de chinês. Falado por 94% dos chineses, o mandarim possui 80 mil caracteres, chamados de "hanzis", dos quais 7 mil são mais usados. No Brasil, até o alemão Colégio Humboldt, que forma seus alunos em português e no idioma de Goethe, investe na iniciação ao mandarim - ainda que de forma extracurricular. São dois cursos, voltados aos alunos do sétimo ao nono ano (antigas sexta a oitava séries) e do ensino médio. As aulas são ministradas pelo professor David Jye Yuan Shyu, responsável pelo Departamento de Línguas Orientais da Universidade de São Paulo (USP). "Nesta época de globalização, a gente vê o chinês como o ‘latim do passado’ e o ‘inglês do futuro’", comenta o vice-diretor da escola, Herbert Zorn. "Essas coisas acontecem cada vez mais rápidas. Acredito que daqui a poucas décadas, se chegar a tanto, o chinês passará até o inglês em importância." A Business School São Paulo, por meio da Universidade Anhembi Morumbi, lançou recentemente o programa Global Extension, que dá oportunidade a seus alunos de vivenciar experiências internacionais. Entre as atividades propostas está o curso "Discovering Business in China". Já a franquia de São Paulo da Berlitz International, uma das principais empresas de serviços de idiomas do mundo, oferece um curso on-line de mandarim. Além disso, também disponibiliza o programa "Doing Business in China", também on-line, que mostra as principais diferenças culturais que envolvem as práticas de negócios na China. Trânsito cultural. A questão cultural, de uma forma mais ampla, também deve ser preocupação dos executivos interessados em atuar ou interagir com o mercado chinês. Na opinião do presidente da Escola de Marketing Industrial e diretor da consultoria JCTM, José Carlos Teixeira Moreira, mais do que o domínio do mandarim, as empresas esperam dos profissionais o entendimento e respeito às diferentes culturas. "O que mais estão pedindo é trânsito cultural, ou seja, se eu falo mandarim ou inglês e me porto na China com respeito aos rituais chineses", explica Moreira. "Os rituais expressam valores. Por isso, mais importante do que falar o mandarim, é respeitar os rituais."
Uma das razões para que os ritos sejam tão considerados é a grande quantidade de variações dos idiomas falados na China. Embora o mandarim (dialeto de Pequim) tenha sido a língua adotada oficialmente em um plebiscito na década de 1960, o país conta com mais de 300 dialetos. Mas o motivo principal para a atenção aos detalhes extralingüísticos é que, no Oriente, um ato banal cometido normalmente no Ocidente pode antecipar o fim de um encontro e até, em casos extremos, detonar de vez com uma negociação (ver quadro). "Para um chinês, acenar com a cabeça não quer dizer que se está concordando, mas que entendeu o que o interlocutor falou", exemplifica Yuan, da KPMG. Por isso, especialmente na China, é importante para o executivo manter os olhos bem abertos.
Fonte: Gazeta Mercantil 10/3/2008
Escrito por Alexandre Siqueira às Segunda-feira, 10 Março 2008

Quinta-feira, 06 Março 2008
INCÊNDIO DESTRÓI TRÊS GALPÕES DE EMPRESA EM CARIACICA E PROVOCA COLUNA DE FUMAÇA VISÍVEL EM TODA GRANDE VITÓRIA
Um incêndio no pátio da empresa Tegma Gestão Logística, ligada ao grupo Coimex, na Rodovia do Contorno, em Cariacica, provocou um coluna de fumaça visível em toda a Grande Vitória, no início da manhã desta quinta-feira (06). Pelo menos três armazéns, totalizando 24 mil m2, foram destruídos.
O fogo consumiu diversas mercadorias como motocicletas e produtos eletrônicos. Bombeiros informaram que nos galpões havia produtos químicos e inflamáveis, que aumentou a destruição. De acordo com o Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes), não há informações sobre feridos. Uma perícia vai investigar as causas da destruição.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, uma viatura foi até o local que fica próximo à rodovia, porém, como o fogo está em uma área particular, os policiais não puderam se aproximar. De acordo com os agentes, a fumaça não prejudica o tráfego na rodovia do Contorno. Funcionários que chegam para trabalhar são orientados a retornar para casa.
A empresa foi procurada, mas a assessoria ainda não confirmou as causas do fogo. No site do grupo CoimexPar na Internet, existe a informação de que no pátio de Cariacica, a Coimex Logística Integrada possui 400 m² para armazenagem de produtos químicos perigosos.
Sobre isso, o Instituto Estadual do Meio Ambiente (Iema) disse que foi acionado pelo Corpo de Bombeiros por volta de 5h desta quinta-feira, que confirmou que o fogo não atingiu essa área de produtos químicos.
Segundo o Iema, o incêndio teria sido controlado e a grande quantidade de fumaça foi produzida a partir da queima de papel, madeira e outros produtos inflamáveis, mas as causas ainda não estão confirmadas.
Por diversos locais dos municípios de Cariacica, Vitória, Vila Velha e Serra, a grande coluna de fumaça no céu chamava a atenção da população. O volume de partículas foi tão grande que a fumaça podia ser confundida com uma nuvem de chuva. Diversos moradores da região ainda chamam a atenção para a semelhança também com a erupção vulcânica.
Segundo o Tenente-Coronel do Corpo de Bombeiros, Samuel Rodrigues, 13 viaturas, entre carros de combate a incêndio e busca e salvamento, da corporação foram deslocadas para o pátio da empresa e trabalham para apagar as chamas. Além dos militares, brigadas de incêndio da empresa e de outras parceiras também foram até o local. O trânsito na região flui normalmente.
Escrito por Alexandre Siqueira às Quinta-feira, 06 Março 2008
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